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Correio da Manhã

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Tragédia em Java

Cerca de um ano e meio após o maremoto no sudeste asiático que matou dezenas de milhares de pessoas, a Indonésia foi ontem atingida por nova tragédia, com mais de 4600 mortos num violento terramoto que sacudiu a ilha de Java. Receia-se que o balanço de vítimas mortais aumente significativamente, uma vez que aldeias inteiras foram destruídas e centenas de feridos graves estavam ontem à espera de receber cuidados médicos. O governo indonésio solicitou ajuda internacional para fazer face à situação.
28 de Maio de 2006 às 00:00
As equipas de busca, que não tiveram mãos a medir, resgataram feridos e recolheram cadáveres
As equipas de busca, que não tiveram mãos a medir, resgataram feridos e recolheram cadáveres FOTO: Dwi Oblo, Reuters
“Fui violentamente sacudido da cama... A mobília e blocos de cimento começaram a cair no meu quarto de hotel e as pessoas, em pânico, fugiam em pijama”, afirmou Brook Weisman-Ross, responsável na área da coordenação das respostas a catástrofes. Na cidade de Bantul, a mais afectada pela tragédia, quase não ficou uma casa em pé. O terramoto, que segundo o Instituto Geológico norte-americano atingiu 6,2 graus na escala de Richter, teve o epicentro a 25 quilómetros a sudoeste de Yogyakarta (a cerca de 400 quilómetros da capital indonésia, Jacarta).
Morgues improvisadas não parávam ontem de receber cadáveres de vítimas. Havia registo de mais de 3500 mortos e os hospitais não tinham mãos a medir perante o afluxo de feridos, tendo sido mesmo avançado o número de 200 mil afectados (incluindo deslocados), pelo que o balanço de vítimas mortais poderá aumentar significativamente. Mais: segundo as equipas de socorro, várias centenas de feridos aguardavam ontem que lhes fossem prestados cuidados médicos. A França, o Reino Unido e a Rússia anunciaram o envio de ajuda humanitária.
Considerado um dos principais centros turísticos do país, Yogyakarta encontra-se próximo do vulcão Merapi, que entrou recentemente em actividade.
NÃO HÁ VÍTIMAS PORTUGUESAS
O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, afirmou ontem que “não há portugueses” entre as vítimas do violento sismo que atingiu Java, na Indonésia. Aquele responsável, em visita oficial à Venezuela, acrescentou que o seu gabinete “está em contacto com a Embaixada de Portugal em Jacarta” e que, “até ao momento”, não havia registo de vítimas de nacionalidade portuguesa. Por seu turno, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português informou que não há registo de qualquer cidadão luso inscrito na secção consular daquela representação diplomática a residir na região do terramoto.
A embaixada contactou ainda vários hotéis em Yogjakarta não tendo sido encontrado nenhum hóspede português.
ECOS DA TRAGÉDIA
BENTO XVI LAMENTOU
O Papa Bento XVI lamentou ontem as numerosas vítimas causadas pelo violento sismo que abalou a ilha de Java. O Sumo Pontífice da Igreja Católica instou as equipas de resgate a perseverar nos esforços de assistência aos sobreviventes.
TSUNAMI NA MEMÓRIA
O terramoto que sacudiu a parte central da ilha de Java trouxe à memória o violento sismo que, em Dezembro de 2004, se fez sentir ao largo da costa indonésia, e que foi seguido de um tsunami. Morreram então 130 mil pessoas só na Indonésia.
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