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Transgénero dá à luz e confessa que os homens não imaginam o que custa uma gravidez

Caso aconteceu na Grã Bretanha e foi documentado no filme ‘Seahorse: The Dad Who Gave Birth'.
Correio da Manhã 11 de Setembro de 2019 às 11:41
Transgénero dá à luz e confessa dificuldades de ser mulher
Transgénero dá à luz e confessa dificuldades de ser mulher
Transgénero dá à luz e confessa dificuldades de ser mulher
Transgénero dá à luz e confessa dificuldades de ser mulher
Transgénero dá à luz e confessa dificuldades de ser mulher
Transgénero dá à luz e confessa dificuldades de ser mulher

Quando iniciou o processo de mudança de sexo de mulher para homem, Freddy McConnel decidiu manter o útero para um dia poder carregar uma criança.

Em 2016, o homem de 32 anos, residente no Reino Unido, começou por abdicar das injeções de testosterona e conseguiu engravidar à segunda tentativa, recorrendo a um banco de esperma.

Ao longo de três anos a sua vida foi documentada e o resultado final deu origem ao documentário ‘Seahorse: The Dad Who Gave Birth', um registo do seu dia-a-dia dividido entre uma gravidez, o género feminino e masculino.

McConnel admite no entanto que nem sempre foi fácil ver a sua vida documentada. "Acho que subestimei completamente a dificuldade de estar em frente à câmara, a ser filmado constantemente. Lembro-me de pensar 'isto é muito estranho, mas vou habituar-me’, mas isso nunca aconteceu", refere.

Após os primeiros meses de gravidez, confessou que o processo era difícil, principalmente na perspetiva de um homem - "se todos os homens engravidassem, a gravidez seria levada mais a sério e criaria maior discussão."

Freddy chegou ao final dos nove meses como um homem. No entanto, a lei só o pode reconhecer como mãe. Segundo os Registos Oficiais e as leis estabelecidas em 1836, uma criança tem que ter legalmente uma mãe e um documento que comprove o mesmo.  

O britânico avançou com uma queixa e o caso chegou ao Tribunal Superior. Para o seu advogado, o que está em causa é uma clara violação dos Direitos Humanos ao forçarem Freddy a ser reconhecido como mãe.

Na eventualidade de ganhar o caso, o filho de McConnel será a primeira criança a não ter mãe segundo a lei britânica.

Sobre a mudança de sexo, e em declarações ao The Guardian, Freddy confessou que percebeu ainda jovem que algo não estava bem e que falar sobre mudança de sexo enquanto criança não era bem interpretado pela maioria das pessoas. A mãe acreditava até que o desejo de mudança seria algo possível de ‘ultrapassar’.

Aos 25 anos, Freddy avançou mesmo com o processo de transformação que incluiu a toma testosterona e a remoção do peito. Apesar da mudança de sexo, o jovem sempre desejou ser pai, uma vontade que se tornou mais presente depois de ter tido conhecimento da história de um homem transgénero que deu à luz nos Estados Unidos da América.  

Apesar da gravidez difícil, vivida entre emoções e questões hormonais, o parto foi um momento feliz, confessa. Freddy deu à luz numa piscina, em casa, e de parto natural.

A equipa de gravações acompanhou o momento e ao seu lado esteve também a mãe que o acompanhou durante todo o processo.

"Estou ansioso para partilhar tudo. Vou ser totalmente aberto com o meu filho, logo que a idade seja apropriada", explica.

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