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Correio da Manhã

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Travesti reformado assassinou 18 gays

Um travesti reformado de 68 anos foi ontem detido em França sob suspeita de ter assassinado 18 pessoas, na sua maioria homossexuais, entre 1980 e 2002. O presumível assassino em série foi capturado graças à persistência de um polícia, que detectou semelhanças entre vários homicídios por resolver em diversos pontos do país.
29 de Novembro de 2007 às 00:00
Nicolas Panard estava reformado e vivia na Alsácia
Nicolas Panard estava reformado e vivia na Alsácia FOTO: direitos reservados
Nicolas Panard foi detido na sua casa em Mulhouse, na Alsácia, onde vivia pacatamente na companhia do seu cão. Os vizinhos dizem que não é homem de grandes conversas, mas nunca fizeram ideia de que se tratava de um assassino em série.
Panard, que nas décadas de 70 e 80 trabalhou como travesti em bares da França e Alemanha e é homossexual, é suspeito de ter assassinado pelo menos 18 homens, na sua maioria homossexuais. As vítimas foram todas mortas de maneira idêntica: uma pancada forte na cabeça, seguida por dezenas de facadas no corpo. Os cadáveres foram todos encontrados com a cara coberta e parcialmente despidos. Os crimes ocorreram entre 1980 e 2002 nas províncias da Alsácia, Franche-Comté e na região parisiense.
Apesar das semelhanças no ‘modus operandi’ do assassino, só ao fim de todos estes anos é que a polícia conseguiu ligar os vários crimes. E tudo graças à perseverança de um agente da polícia de Montbéliard, que cruzou informações de vários casos e notou as semelhanças entre os crimes, incluindo o facto de o nome de Panard aparecer em vários dos processos.
O alegado assassino em série terá tido um cúmplice, Slim Fezzani, que se encontra na cadeia a cumprir uma pena de 20 anos de cadeia pelo homicídio de um agente de seguros homossexual em 1999. A polícia suspeita agora que Panard – que na altura era amante de Fezzani – poderá ter sido o ‘terceiro homem’ que os indícios indicam ter estado presente no local do crime, mas que nunca foi identificado.
AUTORIDADES CAUTELOSAS
O vice-procurador de Montbéliard, Jean-Marc Gervason, mostrou-se ontem cauteloso perante as notícias que implicam Panard na morte de 18 pessoas, o que o tornaria um dos maiores assassinos em série de França. “É prematuro falar de assassinatos em série nesta altura”, afirmou Gervason, adiantando que Panard está apenas a ser formalmente investigado pela Justiça pelo seu envolvimento em seis crimes. O vice-procurador declinou fazer mais comentários.
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