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Três adolescentes processam xAI de Elon Musk por gerar imagens pornográficas com fotos reais

Ação judicial coletiva poderá abranger mais de mil vítimas menores.

17 de março de 2026 às 07:15

Três adolescentes do estado norte-americano de Tennessee (sul) apresentaram processaram na segunda-feira a xAI, a empresa de inteligência artificial de Elon Musk, acusando o chatbot Grok de gerar imagens pornográficas delas a partir de fotografias reais.

A ação judicial coletiva, que poderá abranger mais de mil vítimas menores, está diretamente relacionada com a proliferação, por altura do Ano Novo, de montagens hiper-realistas (deepfake, em inglês) de mulheres e crianças nuas, o que suscitou uma onda de indignação a nível mundial e a abertura de inquéritos em vários países e no estado da Califórnia.

A queixa, apresentada num tribunal federal de San José (Califórnia), cita o caso de um autor --- entretanto detido --- que utilizou o Grok para transformar fotografias comuns de jovens raparigas, tiradas nas redes sociais ou em álbuns escolares, em imagens sexualizadas hiper-realistas.

Essas montagens circularam posteriormente no X (antigo Twitter), Discord e Telegram, tendo depois migrado para a 'dark web', servindo de moeda de troca para outros conteúdos de pornografia infantil, relata a queixa, segundo as advogadas que representam as três adolescentes.

"Ver a minha filha a ter um ataque de pânico ao perceber que estas imagens tinham sido criadas e divulgadas sem esperança de as apagar foi devastador", declarou a mãe de uma delas, citada num comunicado divulgado pelas advogadas.

A xAI "concebeu deliberadamente o Grok para produzir conteúdos sexualmente explícitos com fins lucrativos", sem implementar as medidas de proteção utilizadas por outros grandes intervenientes no setor da IA contra a pornografia infantil, denunciam as advogadas.

A queixa baseia-se, nomeadamente, em duas leis federais norte-americanas: a lei Masha, que permite às vítimas de pornografia infantil obter uma indemnização, e a lei sobre a proteção das vítimas de tráfico de seres humanos.

As queixosas reclamam uma indemnização e pedem que a xAI seja impedida de permitir este tipo de montagens.

As plataformas estão amplamente isentas de responsabilidade nos Estados Unidos pelo conteúdo publicado pelos utilizadores. Mas "sem a xAI, esses conteúdos ilegais nunca teriam podido existir", argumenta Annika K. Martin, advogada do escritório Lieff Cabraser.

De acordo com um estudo do Center for Countering Digital Hate (CCDH), o Grok terá gerado cerca de três milhões de imagens sexualizadas em apenas 11 dias no final de 2025, das quais 23.000 representavam menores.

Perante a onda de indignação, a xAI restringiu, em meados de janeiro, a geração de imagens com o Grok apenas aos seus assinantes pagantes e garantiu bloquear a geração de imagens sexualizadas "nas jurisdições onde tal é ilegal".

Elon Musk, que se pronuncia diariamente no X, critica as regulamentações dos governos, acusados de quererem "suprimir a liberdade de expressão".

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