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Correio da Manhã

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Três portugueses agredidos em Díli

Está ao rubro a crise que há cerca de duas semanas se vive na capital timorense, Díli, com o ‘braço-de-ferro’ entre a Igreja católica e o executivo de Mari Alkatiri em redor da pretensão governamental de extinguir a Religião e Moral como disciplina obrigatória no curriculum escolar. Ontem de madrugada, em mais uma manifestação convocada pelos bispos, três cidadãos portugueses, um dos quais ao serviço das Nações Unidas, foram atacados pela multidão.
1 de Maio de 2005 às 00:00
O presidente da República Xanana Gusmão apelou ao entendimento entre o governo e a Igreja Católica
O presidente da República Xanana Gusmão apelou ao entendimento entre o governo e a Igreja Católica FOTO: Antonio Dasiparu/Epa
O presidente timorense, Xanana Gusmão, apressou-se a lamentar os incidentes mas a situação em Timor-Leste poderá agravar-se, com a Fretelin, partido do governo, a cerrar fileiras em redor do primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
Os incidentes envolvendo portugueses ocorreram na madrugada de sábado quando a viatura em que seguiam se aproximou do local da manifestação, o que provocou a ira das centenas de pessoas concentradas no local. A embaixada de Portugal em Díli confirmou ter recolhido os portugueses na residência do bispo de Díli, tendo-lhes prestado o apoio necessário. O vigário-geral da Diocese de Díli, padre Apolinário Guterres, afirmou, por seu turno, que os portugueses, “sob influência do álcool, conduziam uma viatura a alta velocidade pela rua onde os manifestantes estavam em vigília de oração”. Um outro cidadão luso, ao serviço da ONU, foi agredido pelos manifestantes, que apedrejaram o seu carro, identificado com as letras ‘UN’ (United Nations), tendo recebido tratamento hospitalar.
A situação é tensa e poderá agravar-se nas próximas horas. Ontem à tarde, a Fretilin apelou aos seus militantes para se prepararem “para expressarem a sua rejeição à manifestação liderada pela hierarquia da Igreja Católica em Timor-Leste e apoiar o governo constitucional”. A Fretilin acusou, por outro lado, a Igreja Católia de “manter cárceres privados na residência do bispo de Díli”, exigindo uma investigação “aturada daquela situação”. Por seu turno, Mari Alkatiri já afirmou publicamente que o partido não exclui a possibilidade de convocar também manifestações pró-governamentais.
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