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Tribunal brasileiro ilibou a presidente do Partido dos Trabalhadores de corrupção

Em causa estão os crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e financiamento ilegal de campanha através de um “saco azul”.

20 de junho de 2018 às 20:17

O Supremo Tribunal Federal brasileiro ilibou a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, dos crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e financiamento ilegal de campanha através de um "saco azul". O julgamento, que terminou já na madrugada desta quarta-feira em Brasília, foi o segundo que envolve processos da operação anti-corrupção Lava Jato a ser decidido no STF com políticos no exercício do mandato envolvidos.

O julgamento de Gleisi - também a porta-voz oficial do ex-presidente Lula da Silva - refere-se a um processo decorrente de denúncia apresentada pelo Ministério Público, segundo o qual a presidente recebeu 250 mil euros não declarados para a sua campanha ao Parlamento em 2010. Segundo os procuradores da Operação Lava Jato, o montante terá sido pago à presidente pela empreiteira UTC, que o desviou da Petrobrás através de um contrato sobrevalorizado com a petrolífera pública brasileira.

Mas os cinco juízes do STF ilibaram Gleisi, considerando que não havia provas que consubstanciassem e deixassem evidente a prática do crime, suportado apenas pela denúncia de um empreiteiro que passou a colaborar com a justiça em troca de redução de pena, mas não apresentou provas. Dois dos juízes, Edson Fachim, relator da Lava Jato no STF, e Celso de Melo, ilibaram a presidente dos crimes de corrupção passiva e de branqueamento de capitais e consideraram-na culpada pelo de financiamento ilegal de campanha, por não ter declarado o dinheiro, mas os outros três juízes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, ilibaram-na de todas as acusações.

Junto com a presidente foi julgado também o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, e um empresário amigo do casal, Ernesto Rodrigues, acusados de terem intermediado o recebimento da verba ilegal, mas ambos foram também ilibados. Na justificativa dos seus votos, vários dos magistrados voltaram a criticar a fragilidade de muitos processos que têm em mãos relativos à Operação Lava Jato, baseados unicamente em depoimentos de arguidos que passaram a colaborar com a justiça e denunciaram outros suspeitos mas não apresentaram provas robustas.

Além deste processo, de que agora se livrou, Gleisi Hoffmann enfrenta ainda outras duas denúncias e um inquérito no STF. Ela tem afirmado ser inocente de todas as acusações e diz que está a ser alvo do Ministério Público por ser a presidente do PT e defender Lula da Silva, que ela também considera inocente.

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