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Trump aceita transição para Biden sem admitir derrota

Presidente deu ‘luz verde’ ao início do processo de transferência de poderes para a Administração Biden.
Ricardo Ramos 25 de Novembro de 2020 às 09:11
Donald Trump
Donald Trump FOTO: Reuters
Mais de duas semanas após Joe Biden ter sido dado como vencedor das presidenciais de 3 de novembro, Donald Trump autorizou finalmente o início do processo de transição para a nova Administração, num reconhecimento implícito da derrota mas sem nunca o afirmar publicamente. Pelo contrário, o presidente cessante garantiu que "vai continuar a lutar" para provar a fraude eleitoral.

"As nossas ações legais continuam em força. Vamos continuar a lutar e acredito que sairemos vencedores! No entanto, tendo em conta os melhores interesses nacionais, recomendei que [a diretora da Administração dos Serviços Gerais]? Emily Murphy e a sua equipa façam o que tiver de ser feito relativamente os protocolos iniciais [da transição] e disse à minha equipa para fazer o mesmo", anunciou Trump no Twitter, pouco depois de o Michigan ter certificado a vitória de Biden naquele estado, levando Murphy a quebrar o seu muito criticado silêncio e a declarar Biden como vencedor das eleições, uma formalidade necessária para que a transição possa começar.

"Nunca foi pressionada relativamente ao teor ou ao calendário da minha decisão. A decisão foi unicamente minha", garantiu a diretora da Administração dos Serviços Gerais, nomeada por Trump em 2017 e muito criticada pelos democratas por recusar declarar Biden como presidente-eleito apesar de a sua vitória já ser clara há mais de duas semanas.

O processo formal de transição, que esta terça-feira mesmo teve início, permite que Biden e a sua equipa possam receber ‘briefings’ diários de segurança nacional e aceder a fundos e gabinetes governamentais para preparar a transferência de poderes. Possibilita ainda uma melhor coordenação e transferência de responsabilidades no combate à pandemia.

"Nos próximos dias, a equipa de transição vai reunir-se com os responsáveis da Administração cessante para discutir a resposta à pandemia, acautelar plenamente os interesses da nossa segurança nacional e ganhar uma melhor compreensão sobre os esforços da Administração Trump para esvaziar as várias agência governamentais", afirmou o chefe da equipa de transição de Biden, Yohannes Abraham.

"EUA estão de volta e prontos para liderar"
Joe Biden garantiu esta terça-feira que os EUA "estão de volta" e "prontos para liderar o Mundo", no seu primeiro discurso após ser proclamado como presidente-eleito dos EUA.

Discursando na cerimónia de apresentação daquela que será a sua equipa de política externa e segurança nacional, Biden garantiu que a América "está pronta para liderar o Mundo, e não para se retirar", num claro distanciamento em relação ao isolacionismo da Administração Trump.

Biden frisou ainda que "a América é mais forte quando trabalha com os seus aliados", uma posição reforçada pouco depois por Antony Blinken, que Biden escolheu para Secretário de Estado do seu futuro governo. "Os EUA não podem resolver todos os problemas sozinhos. Precisamos de trabalhar com outros países, precisamos da sua colaboração e parceria", afirmou.

Além de Blinken, estiveram ainda presentes na conferência de imprensa os futuros membros da Administração John Kerry (enviado especial do presidente para o combate às alterações climáticas), Linda Thomas-Greenfield (embaixadora na ONU), Jake Sullivan (Conselheiro de Segurança Nacional), Avril Haines (diretora da Inteligência Nacional) e Alejandro Mayorkas (secretário da Segurança Interna).

"A sua função será não apenas reparar, mas reimaginar a política externa e a segurança nacional da América para uma nova geração", disse Biden, que deverá anunciar nos próximos dias a escolha de Janet Yellen, antiga diretora da Reserva Federal dos EUA, como Secretária do Tesouro, uma das pastas mais importantes da Administração, cuja prioridade será a recuperação da economia devastada pela pandemia.

Republicano ‘dá’ vitória a Biden no Michigan
A certificação do vencedor num estado é normalmente uma formalidade: dois representantes democratas e dois republicanos reúnem-se para confirmar os resultados e atribuir os delegados ao candidato com mais votos. No Michigan, um dos republicanos apoiou as alegações de fraude de Trump e recusou certificar a vitória de Biden, mas o outro votou a favor, ‘dando’ o estado ao democrata.

Giuliani admite que exagerou alegações
O advogado de Trump, Rudolph Giuliani, que tem liderado a ofensiva jurídica do presidente para contestar os resultados, admitiu na Fox que "exagerou" ao dizer que houve mais votos em Detroit do que eleitores registados, alegação várias vezes repetida por Trump. "Ok, se calhar exagerei um bocadinho", reconheceu.

Republicanos desprezam Trump pelas costas
O veterano jornalista Carl Bernstein, do caso ‘Watergate’, expôs no Twitter os nomes de 21 senadores republicanos que "desprezam Trump pelas costas" apesar de terem medo de o criticar publicamente. Entre os visados estão Marco Rubio (Florida), Lamar Alexander (Tennessee) e John Cornyn (Texas).

Pensilvânia e Nevada certificam vitória de Biden
Além do Michigan, outros dois estados cruciais para definir o vencedor destas eleições, a Pensilvânia e o Nevada, certificaram esta terça-feira a vitória de Joe Biden, garantindo a atribuição dos respetivos delegados e cimentando a vitória do democrata no Colégio Eleitoral.

RECURSOS DA TRANSIÇÃO
Milhões em fundos estatais
O arranque formal do processo de transição desbloqueia 6,3 milhões de dólares (5,3 milhões de euros) em fundos governamentais para a equipa de Biden pagar a funcionários e consultores e alugar escritórios.

Informações
Além dos ‘briefings’ diários de segurança nacional, a equipa de Biden passa igualmente a poder contactar funcionários de qualquer agência federal ou gabinete do Congresso para pedir informações e documentos.

Gabinetes
A equipa de transição tem direito a ocupar 40 mil metros quadrados de gabinetes e salas de reuniões com capacidade para cerca de 500 pessoas.

Telecomunicações
A Administração dos Serviços Gerais disponibiliza ainda à equipa de transição equipamentos de telecomunicações seguros, apoio informático e servidores de correio eletrónico.
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