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Correio da Manhã

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Trump ameaça usar força militar para travar motins violentos nos EUA

Presidente dos EUA mandou polícia usar gás lacrimogéneo e balas de borracha para afastar manifestantes junto à Casa Branca.
Ricardo Ramos 3 de Junho de 2020 às 01:30
Trump
Trump
Trump
Trump
Protestos pela morte de George Floyd têm-se replicado pelos EUA e por todo o mundo
saques e violência protestos racismo George Floyd EUA
Protestos pela morte de George Floyd cercam Casa Branca nos EUA
Protestos pela morte de George Floyd cercam Casa Branca nos EUA
Trump
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Protestos pela morte de George Floyd têm-se replicado pelos EUA e por todo o mundo
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Protestos pela morte de George Floyd cercam Casa Branca nos EUA
Protestos pela morte de George Floyd cercam Casa Branca nos EUA
Trump
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Protestos pela morte de George Floyd têm-se replicado pelos EUA e por todo o mundo
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Protestos pela morte de George Floyd cercam Casa Branca nos EUA
Protestos pela morte de George Floyd cercam Casa Branca nos EUA
Donald Trump ameaçou segunda-feira enviar as Forças Armadas para travar os motins violentos que semearam o caos e a destruição em dezenas de cidades americanas e, para mostrar que falava a sério, mandou a polícia carregar sobre centenas de manifestantes pacíficos junto à Casa Branca para que ele pudesse fazer-se fotografar junto a uma igreja.

"Os presidentes de câmara e os governadores devem garantir uma presença esmagadora das forças de segurança nas ruas até a violência acabar. Se uma cidade ou estado recusar tomar as medidas necessárias para defender vidas e propriedades dos seus cidadãos, eu irei mobilizar as Forças Armadas e resolver o problema por eles", ameaçou Trump numa conferência de imprensa no Jardim das Rosas da Casa Branca.

Ao fundo, ouviam-se as explosões das granadas de atordoamento usadas pela polícia para dispersar os manifestantes concentrados junto à residência oficial do presidente, abrindo caminho para que Trump pudesse deslocar-se depois até junto da Igreja Episcopal de São João, conhecida como a ‘Igreja dos Presidentes’, onde posou para os fotógrafos com a Bíblia na mão.

Antes, Trump tinha garantido ser "o presidente da Lei e da Ordem" e prometera "mobilizar todos os recursos civis e militares para acabar com os motins e os saques", a começar por Washington, que nas últimas noites foi palco de motins violentos, incluindo junto à Casa Branca.

"Mobilizei milhares de militares e polícias fortemente armados para acabar com os saques, o vandalismo, as agressões e a destruição de propriedade", afirmou, acrescentando que a memória de George Floyd "não pode ser ofuscada por uma multidão enraivecida".

Pormenores
"Bíblia não é adereço"
A polémica fotografia de Trump junto à igreja foi criticada por vários líderes religiosos e políticos. "Donald Trump acabou de usar gás lacrimogéneo contra uma multidão para posar para uma foto", acusou a senadora democrata Kamala Harris. "Isto é revoltante. A Bíblia não é um adereço. Uma igreja não é um cenário para fotografias", afirmou James Martin, padre jesuíta e consultor do Vaticano.

"Discurso fascista"
"Estas não são as palavras de um presidente, são as palavras de um ditador", acusou a senadora Kamala Harris. Ron Wyden, senador democrata do Arizona, disse que "o discurso fascista de Trump roçou uma declaração de guerra contra os cidadãos americanos".

Segunda autópsia confirma morte por asfixia
A segunda autópsia ao corpo de George Floyd, encomendada pela família, confirmou que ele morreu por asfixia devido a pressão no pescoço e nas costas e concluiu que se tratou de um homicídio.

A primeira autópsia, realizada pelas autoridades locais, tinha indicado paragem cardiorrespiratória como causa de morte mas não referia a asfixia.

Polícias baleados em nova noite de violência
Cinco polícias foram feridos a tiro na segunda-feira, em mais uma noite de motins violentos em dezenas de cidades norte-americanas em protesto pela morte de George Floyd, os quais não dão sinais de abrandar apesar das ameaças do presidente Donald Trump de usar a força para esmagar os protestos.

Um dos agentes foi baleado na cabeça, em Las Vegas, e está em estado crítico. Os outros quatro sofreram ferimentos ligeiros durante um tiroteio em St. Louis, Missouri. Um outro polícia sofreu ferimentos graves ao ser atropelado por uma viatura durante confrontos em Brooklyn, Nova Iorque.

Os piores tumultos da noite ocorreram em Los Angeles, onde um centro comercial foi saqueado e incendiado por uma multidão, e em Nova Iorque, onde centenas de pessoas pilharam e vandalizaram lojas de artigos de luxo em Manhattan, incluindo na famosa Quinta Avenida.

O governador de Nova Iorque criticou as forças de segurança locais pela passividade perante a ação dos criminosos. "A Polícia de Nova Iorque e o presidente da câmara não cumpriram o seu dever de proteger o público", acusou Andrew Cuomo.

O governador acusou ainda o presidente Trump de falar dos saques e pilhagens "para não ter de falar da morte de George Floyd".
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