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Correio da Manhã

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Trump e Erdogan reúnem-se em Washington esta terça-feira

Encontro surge no dia em que foram detidos mais 85 funcionários de ministérios turcos.
16 de Maio de 2017 às 10:54
O presidente Erdogan, na chegada à América
O presidente Erdogan, na chegada à América
O chefe de Estado da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reúne-se esta terça-feira pela primeira vez com o Presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de reaproximar os dois países e convencê-lo a não fornecer armamento às milícias curdas da Síria.

"Encaro esta visita como um novo começo na relação turco-norte-americana", disse Erdogan antes da deslocação a Washington, que se prevê complicada para os interesses turcos.

A relação entre a Turquia e os Estados Unidos degradou-se na sequência da decisão de Washington em fornecer armamento pesado às milícias curdas da Síria Unidades de Proteção Popular (YPG) para a ofensiva contra Raqa, "capital" do grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI).

A Turquia define o YPG como uma formação "terrorista" pelos seus vínculos à guerrilha do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que atua no sudeste da Turquia, onde se concentra a maioria da população curda do país.

Os Estados Unidos e a Turquia são aliados na NATO e na Coligação 'anti-jihadista', mas Ancara tem demonstrado crescente preocupação pelos ganhos territoriais das milícias curdas na vizinha Síria e a eventualidade de garantirem um consistente grau de autonomia ou a formação de uma entidade administrativa própria.

Detidos 85 funcionários de dois ministério turcos

O encontro surge no dia em que, na Turquia, foram detidos 85 funcionários dos ministérios da Energia e da Educação, no âmbito da investigação ao golpe de estado falhado de julho passado.

A CNN turca avança que os funcionários são suspeitos de ter colaborado com o clérigo Fethullah Gulen, que vive nos EUA e é acusado pelo governo turco de ter planeado a tentativa de destituição de  Tayyip Erdogan .

Cerca de 50 mil pessoas foram formalmente presas em processos judiciais contra supostos apoiantes do clérigo Fethullah Gulen. O presidente Erdogan, que se encontra com o líder norte-americano Donald Trump em Washington na terça-feira, continua a tentar obter a extradição de Gulen.

Nenhum detalhe foi revelado sobre os mandados de prisão mais recentes que acontecem depois de, na segunda-feira,  um tribunal  ter ordenado a detenção do editor online do jornal opositor Cumhuriyet, que é acusado de difundir  propaganda terrorista.

O jornalista Oguz Guven  juntou-se assim a uma dúzia de jornalistas Cumhuriyet já condenados a penas de até 43 anos de prisão, por apoiarem a a rede de Gulen.

As detenções em massa foram inicialmente apoiadas por muitos turcos, após o fracasso do golpe de julho passado, no qual as tropas revoltosas usaram aviões de guerra para bombardear o parlamento e tanques para matar 240 pessoas.

Mas as críticas aumentaram à medida que as prisões continuam, com as famílias de muitos dos que foram detidos ou despedidos a negar o seu envolvimento no golpe e chamando-os de vítimas de uma purga.

Um total de cerca de 150 mil pessoas, principalmente funcionários públicos, pessoal de segurança e académicos, foi suspensa ou demitida. Entre eles estavam centenas de funcionários judiciais, incluindo magistrados como juízes e procuradores.

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