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Trump irrita republicanos ao negociar com democratas regularização clandestinos

Presidente dos EUA recebeu uma série de protestos entre os seus apoiantes da primeira hora.
Lusa 15 de Setembro de 2017 às 00:18
Donald Trump, o presidente dos EUA
Donald Trump
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Donald Trump, o presidente dos EUA
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Donald Trump, o presidente dos EUA
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O presidente norte-americano abalou na quinta-feira os seus aliados republicanos ao negociar diretamente com os democratas para regularizar as centenas de milhares de imigrantes clandestinos, provocando uma série de protestos entre os seus apoiantes da primeira hora.

Dececionado pela inação e pelas divisões dos congressistas republicanos, Donald Trump resumiu assim a sua nova estratégia: "Se eles (republicanos no Congresso) não são capazes de se entender, vou ter de pedir alguma ajuda aos democratas".

Esta foi a segunda vez, em uma semana, que Trump se entendeu com "Nancy e Chuck", referindo-se a Nancy Pelosi e Chuck Schumer, os líderes dos grupos parlamentares dos democratas na Câmara dos Representantes e Senado, respetivamente, com quem tinha acordado uma posição comum sobre a dívida e o orçamento, durante uma reunião no Gabinete Oval da Casa Branca.

Desta vez, foi durante um jantar, na quarta-feira, no Salão Azul da Casa Branca, que os três chegaram a um aparente acordo de princípio sobre os imigrantes indocumentados.

Em troca da regularização de centenas de milhares de jovens clandestinos, designados 'Dreamers' (sonhadores), os democratas, que dispõem de uma minoria de bloqueio no Senado, aceitariam aprovar créditos para aquisição de tecnologia, como drones e detetores, e meios de proteção da fronteira com o México, para travar a chegada dos indocumentados.

Mas, sobretudo, Trump, segundo os democratas, capitulou na questão do muro fronteiriço que se tinha comprometido a construir, adiando para "mais tarde" a batalha pelo voto dos créditos para a sua construção.

"Existem cerca de 800 mil jovens. Estamos a trabalhar a fundo para chegar a um plano", declarou Trump, em Washington. "Penso que estamos muito próximos" (de um acordo), acrescentou.

Os detalhes do acordo ainda precisam de ser trabalhados para ser apresentada uma proposta de lei ao Congresso.

Em comentário à AFP, um analista da Brookings Institution, John Hudak, disse que Trump "é um presidente da tele-realidade".

"Quando ele trabalha com os democratas, recebe bons comentários mediáticos, boas críticas. É por isso que parece inclinado a continuar", afirmou.

Sendo o jantar visto como uma afronta ao partido republicano, nem o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, nem o do Senado, Mitch McConnell, estiveram presentes no repasto.

"Não houve acordo", alertou hoje Paul Ryan, insistindo que as negociações ainda vão continuar.

Mas, entre os conservadores, este princípio do compromisso com os democratas já é visto como uma traição.

Estão furiosos que o seu herói tenha deixado de considerar uma urgência absoluta a construção de imponente muro em betão ao longo da fronteira.

"Um muro é um muro. Os (norte-)americanos não se vão enganar", denunciou o congressista republicano Steve King, na CNN. "A (sua) base eleitoral vai abandoná-lo", preveniu, enquanto comentadores e sítios conservadores na internet exprimiam ultraje pelo entendimento com os democratas.

Criado pelo presidente anterior, Barack Obama, em 2012, um programa de regularização de indocumentados, com até 16 anos, permitiu regularizar de forma temporária cerca de 690 mil pessoas.

Os republicanos consideraram este programa ilegal.
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