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Correio da Manhã

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Tunísia: Eleições dentro de seis meses

O primeiro-ministro do governo de transição tunisino, Mohammed Ghannouchi, garantiu, esta segunda-feira, em declarações à estação televisiva do Dubai Al-Arabiya a organização de eleições legislativas "no prazo máximo de seis meses".
17 de Janeiro de 2011 às 19:55
O antigo presidente Zine Ben Ali foi deposto após fugir do país
O antigo presidente Zine Ben Ali foi deposto após fugir do país FOTO: Reuters/Mohamed Hammi

"As eleições serão organizadas dentro de seis meses, o mais tardar", declarou Ghannouchi ao canal do Dubai, pouco depois de ter também anunciado a formação de um governo de "união nacional" responsável pelo período de  transição até à realização do escrutínio.

Este prazo, na perspectiva do primeiro-ministro, permite o novo executivo de "reformar a legislação" e dá aos partidos políticos "o tempo necessário para se organizarem e prepararem para as eleições, que não devem ser uma mera formalidade".

Mohammed Ghannouchi, o último chefe de governo do Presidente deposto Zine Ben Ali, tinha previamente confirmado a formação de um "governo de unidade nacional", que inclui três líderes de partidos da oposição tolerados pelo anterior regime, e ainda oito ministros da anterior equipa governamental.

Em Paris, o líder histórico da oposição tunisina, Moncef Marzouki, que anunciou esta segunda-feira a sua candidatura às futuras eleições presidenciais, reagiu ao anúncio do novo executivo de transição, considerando uma "fantochada", devido à recondução de antigos ministros do Presidente cessante.

 Moncef Marzouki afirmou numa entrevista à televisão francesa que "a Tunísia merecia melhor: 90 mortos, quatro semanas de uma verdadeira revolução, para alcançar o quê? Um governo que de união nacional tem apenas o nome, porque na realidade é integrado pelo RDC [União Constitucional Democrática, do antigo presidente], o partido da ditadura", afirmou I Télé.

Exilado em França, o líder do Congresso para a República (CPR, uma formação da esquerda laica ilegalizada pelo antigo regime) sugeriu ainda que o povo tunisino "não vai permitir esta fantochada".

No poder há 23 anos, o Presidente Ben Ali fugiu do país na tarde de  sexta-feira, na sequência de uma revolta popular sem precedentes e que se  prolongou por quatro semanas.

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