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Correio da Manhã

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Turista inglesa é assaltada, baleada e atirada a rio na Amazónia

Três dos sete criminosos envolvidos no ataque estão presos.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 20 de Setembro de 2017 às 16:01
Policia brasileira
Policia brasileira FOTO: Getty Images

Uma turista inglesa de 43 anos apaixonada por desporto e por natureza, Emma Kelty, foi assaltada, baleada pelos criminosos e depois atirada ao rio numa região remota da selva amazónica, no interior do estado brasileiro do Amazonas. Os crimes aconteceram na noite de quarta-feira da semana passada, dia 13, mas só foram confirmados oficialmente agora pela Polícia Civil (Judiciária) do Amazonas, que acredita que Emma esteja morta, apesar do corpo não ter sido localizado até esta quarta, 20.

Três dos sete criminosos envolvidos no ataque à turista já estão presos, dois deles menores. Emma, louca por aventuras, descia de caiaque o largo e caudaloso Rio Solimões, que, algumas centenas de quilómetros adiante ao juntar-se com o Rio Negro forma o famoso Rio Amazonas.

Os três criminosos já presos foram identificados depois de terem tentado vender em comunidades isoladas da região, onde vivem, alguns objectos roubados à turista, entre eles dois telemóveis e um tablet de última geração e equipamentos de imagem. Os outros envolvidos também já estão identificados, e uma força especial da polícia foi enviada à região e está a tentar capturá-los.

Crime brutal

O ataque aconteceu quando Emma parou na Ilha Machado, entre os municípios de Codajás e de Coari, numa região muito isolada no interior da selva e que as forças de segurança brasileiras consideram uma perigosa rota de tráfico internacional de droga, o que provavelmente a turista ignorava. Segundo os relatos dos criminosos já presos, eles chegaram à ilha silenciosamente numa canoa e, ao aproximarem-se da tenda erguida por Emma começaram a disparar com espingardas de calibre 20 com os canos cerrados.

Ainda de acordo com os presos, ao entrarem na barraca viram que Emma tinha sido atingida pelos projécteis, roubaram tudo o que lhes interessou e deixaram a ilha levando a infortunada turista, arrastando-a até à canoa. Quando já se tinham afastado cerca de 100 metros da ilha, num local em que o largo rio é mais profundo, atiraram Emma às escuras águas do Solimões, não se sabe ainda se viva ou morta.

Presságio fatal

A turista pode ter sido surpreendida pelos criminosos quando digitava mais uma mensagem para publicar em redes sociais, através das quais documentava a sua aventura, pois essa última mensagem foi interrompida bruscamente e ficou incompleta. Amigos de Emma, que morava em Londres, tentaram dissuadí-la de concretizar o seu projecto de descer os perigosos rios da Amazónia, mas ela não ouviu os conselhos e chegou a brincar com o temor dos que a avisavam, publicando uma mensagem irónica onde escreveu, num presságio que acabou por se confirmar: "Vão roubar o meu caiaque e eu vou ser assassinada. Legal."

Três dias antes de ser atacada, Emma, numa outra mensagem publicada na sua rede social, já tinha relatado ter avistado homens armados com fuzis e flechas, que ou não a viram ou não lhe ligaram, mas nem esse episódio que confirmava os riscos avançados pelos amigos a fizeram desistir da aventura. Agentes da Polícia Civil e da Polícia Militar e militares da Marinha procuram vestígios de Emma ou o corpo dela na região, mas o trabalho é árduo, pois o rio é muito grande e profundo, está cheio de troncos e outros obstáculos e tem uma corrente muito forte. 
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