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Correio da Manhã

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Turquia abate avião militar russo

Um dos pilotos foi morto a tiro por rebeldes sírios.
24 de Novembro de 2015 às 08:38
'NTV' e 'CNN Turk' difundiram imagens da queda de uma aeronave militar em chamas em montanhas próximas da fronteira
'NTV' e 'CNN Turk' difundiram imagens da queda de uma aeronave militar em chamas em montanhas próximas da fronteira FOTO: CMTV

Um líder militar dos rebeldes turcomanos que lutam na região síria onde caiu o caça-bombardeiro russo SU-24 esta terça-feira abatido pela Turquia confirmou a morte dos dois pilotos do aparelho. Os pilotos terão sido avisados dez vezes antes do aparelho ter sido alvejado.

"Disparámos contra os dois pilotos quando desciam de paraquedas", assegurou o subcomandante Alpaslan Celik, citado pela estação turca CNNTurk.

Fontes locais citadas pelo mesmo canal tinham relatado anteriormente que um dos pilotos tinha morrido e que o outro tinha sido capturado pelos rebeldes sírios turcomanos.


A NTV e a CNN Turk difundiram imagens da queda de uma aeronave militar em chamas em montanhas próximas da fronteira.

O Ministério da Defesa russo indicou que o avião de combate Su-24, das Forças Armadas russas, "encontrava-se exclusivamente em espaço aéreo sírio", o qual nunca deixou. Numa primeira informação de órgãos de comunicação turcos colocava-se a hipótese de ser um avião militar F16, mas já foi admitido pelas autoridades russas ser um Su-24.

"Facada nas costas"
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou já que o abate de um avião russo pela Turquia junto à fronteira com a Síria foi "uma facada nas costas" que vai ter "consequências sérias" nas relações entre os dois países. "A perda de hoje foi uma facada nas costas que nos foi dada por cúmplices de terroristas", disse Putin numa conferência de imprensa conjunta com o rei da Jordânia, Abdallah II.


"Não posso descrevê-lo de outra forma", disse Putin. "Naturalmente vamos analisar tudo o que se passou. E os eventos trágicos de hoje vão ter consequências sérias para as relações russo-turcas", advertiu.


Putin assegurou que o SU-24 não ameaçava a Turquia e que sobrevoava território sírio, a quatro quilómetros da fronteira.

País com "direito" a defender-se

O Governo turco declarou já ter o direito de se defender "contra quem quer que viole" as fronteiras do país, após a Força Aérea da Turquia ter hoje abatido um avião de combate russo perto da fronteira com a Síria.


"Todos devem saber que tomaremos todas as medidas se alguém violar as nossas fronteiras aéreas ou terrestres, apesar das nossas reiteradas advertências, como sublinhámos mais uma vez no passado domingo", disse o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, referindo-se a uma cimeira sobre segurança realizada pelo Governo turco.


"Hoje, quando há aviões que continuam a violar o espaço aéreo turco, há que considerar a reação das nossas forças armadas neste contexto. Não temos interesse no território de outro país", disse Davutoglu, que evitou falar mais claramente sobre o incidente do caça russo derrubado.

Lavrov anula visita à Turquia

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, cancelou uma visita bilateral que tinha previsto fazer à Turquia e desaconselhou os cidadãos russos de viajar para aquele país.

"Foi tomada a decisão de cancelar o encontro que estava previsto para amanhã (quarta-feira) em Istambul entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia e da Turquia", disse Lavrov numa declaração à imprensa russa em Sochi, no sul da Rússia, transmitida pela televisão russa.

O ministro aconselhou por outro lado os cidadãos russos a não viajarem para a Turquia, advertindo que a ameaça terrorista no país é semelhante à ameaça no Egito, onde a 31 de outubro um avião comercial russo com 224 pessoas a bordo foi alvo de um atentado.


Conselho Europeu pede calma
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, apelou à calma e considerou estar-se a viver um "momento perigoso" com o abate de um avião de combate russo pela Turquia.

"Neste momento perigoso após o abate de um jato russo, devemos todos manter a calma e a cabeça fria", escreveu Tusk na rede social Twitter.


Reunião da NATO
A NATO vai realizar esta terça-feira uma reunião extraordinária, a pedido da Turquia, sobre o abate do avião.


"A pedido da Turquia, o Conselho do Atlântico Norte vai realizar uma reunião extraordinária às 17h00 (16h00 TMG e Lisboa). O objetivo desta reunião extraordinária é a Turquia informar os aliados sobre o abate de um avião russo", disse a fonte, citada por agências internacionais. O Conselho do Atlântico Norte reúne os embaixadores dos 28 Estados membros da NATO.

Por seu turno, a Comissão Europeia está a acompanhar o caso e aguarda informação detalhada sobre o caso, antes de reagir, segundo um porta-voz. "Estamos a seguir os acontecimentos e precisamos de saber o que aconteceu exatamente", disse o porta-voz do executivo comunitário Alexander Winterstein.

"Agressão flagrante"

As Forças Armadas sírias consideraram esta terça-feira o abate de um avião russo pela Turquia uma "agressão flagrante à soberania da Síria" e uma demonstração de apoio "ao terrorismo", noticiou a agência oficial Sana.

"Numa agressão flagrante à soberania síria, o lado turco abateu hoje de manhã um avião russo amigo sobre território sírio que regressava de uma missão de combate contra o Daesh", disse uma fonte militar à agência, usando o acrónimo do grupo extremista Estado Islâmico na transliteração do árabe.

O incidente "demonstra sem dúvida que o governo turco se coloca ao lado do terrorismo e apoia os grupos terroristas que começaram a desintegrar-se sob os golpes do exército sírio", acrescentou a fonte. "Estes atos desesperados de agressão só vão reforçar a nossa determinação de prosseguir a luta contra organizações terroristas com o apoio e a ajuda dos nossos amigos, o principal dos quais é a Rússia".

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