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"Não acredito que Turquia venha a ser obstáculo": Finlândia conta com apoio de Portugal na adesão à NATO

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que "não é favorável" à entrada da Finlândia e da Suécia na NATO.
Correio da Manhã e Lusa 13 de Maio de 2022 às 13:19
João Gomes Cravinho
João Gomes Cravinho FOTO: ANTONIO PEDRO SANTOS/Lusa
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse na manhã desta sexta-feira que "não é favorável" à entrada da Finlândia e da Suécia na NATO - Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A posição da Turquia é justificada pelo apoio que aqueles países nórdicos têm dado à causa curda. A Turquia – que é membro da NATO – considera "grupos terroristas" os militantes curdos que lutam pela independência. Ankara poderá usar o seu direito de veto enquanto membro da organização militar para impedir a adesão da Finlândia e da Suécia.

"Estamos a acompanhar os desenvolvimentos em relação à Suécia e Finlândia, mas não temos visões positivas", disse Erdogan a repórteres em Istambul, acrescentando que foi um erro da NATO aceitar a Grécia como membro no passado.

O plano da Finlândia de se candidatar à adesão à NATO, anunciado quinta-feira, e a expectativa que a Suécia seguirá, trarão a expansão da aliança militar ocidental que o presidente russo, Vladimir Putin, pretendia impedir ao lançar a invasão da Ucrânia.

A Turquia é membro da NATO desde 1952 e normalmente apoia o alargamento do grupo.

Na sequência da opinião desfavorável da Turquia quanto à entrada da Finlândia na NATO, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Finlândes, Pekka Haavisto, referiu, em declarações em Helsínquia, que "vão ter de ser dados muitos passos e terá de ser feito um dialogo direto com cada um desses 30 paises integrantes".

"O diálogo com a Turquia será difícil e com a Croácia, que também já mostrou opiniões contraditórias sobre a entrada da Finlândia e da Suécia" na organização, destacou Pekka Haavisto, salientando que "os problemas que separam as opiniões desses países muitas vezes não esta nas mãos dos finlandeses, por isso haverá muito tópicos que têm de ser discutidos no momento que for aprovado no parlamento finlandês o pedido de adesão à NATO".

De acordo com o Ministro dos Negócios Estrangeiros Finlândes "há muitos passos e processos que tem de ser tomados agora e há pontos que a Finlândia tem de cumprir e que esses pontos construídos pela NATO têm de ser respeitados pelos finlandeses".

O Ministro dos Negócios Estrangeiros português João Gomes Cravinho, que esteve presente esta sexta-feira, em Helsínquia, e reuniu com o homólogo finlandês para debater assuntos bilaterais e a situação na Ucrânia, mostrou o apoio de Portugal na adesão da Finlândia à NATO, dizendo que não acredita "que Turquia venha a ser obstáculo".

"A NATO integra 30 Estados soberanos, que adotam individualmente as suas decisões. No entanto, na minha experiência de discussões na NATO, nunca houve dificuldades sobre a ideia de a Finlândia ou Suécia aderirem", indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, em declarações conjuntas com o seu homólogo finlandês Pekka Haavisto, no final da sua visita oficial de um dia a Helsínquia.

"Estou confiante que será um processo que vai decorrer rapidamente e com naturalidade no futuro próximo", acrescentou Gomes Cravinho, após manifestar a esperança numa solução consensual nos processos de adesão, que incluem diversas fases.

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