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Ucrânia: Presidente interino manda tropas retirar da Crimeia

Conselho nacional de segurança e defesa tomou a decisão de transferir os militares que estavam na República Autónoma da Crimeia. Tártaros vão a votos (Atualizada às 17h24)
24 de Março de 2014 às 09:55
Militares ucranianos estavam na península da Crimeia
Militares ucranianos estavam na península da Crimeia FOTO: Getty Images

O Presidente interino da Ucrânia anunciou, esta segunda-feira, ter ordenado às unidades militares estacionadas na península da Crimeia que retirem para o interior do país, na sequência do pedido de separação e anexação da região à Rússia.

"O conselho nacional de segurança e defesa tomou a decisão de, segundo as instruções do Ministério da Defesa, transferir as unidades militares estacionadas na República Autónoma da Crimeia", afirmou o Presidente interino, Olexandre Tourtchinov.

RÚSSIA ATRIBUI 2.500 PASSAPORTES A HABITANTES DA CRIMEIA (12h23)

A Rússia concedeu, até ao momento, a cidadania a cerca de 2.500 habitantes da Crimeia, região ucraniana anexada na semana passada por Moscovo, informou hoje o Serviço Federal Migratório (SFM) russo.

"Recebemos pelo menos 20 mil solicitações da Crimeia para formalizar passaportes. Foram feitos cerca de 2.500", disse o subchefe do SFM, Serguei Kaliuzhni, em conferência de imprensa.

O responsável russo acrescentou que "o procedimento tornou-se rotineiro" e que "a quantidade de solicitações e passaportes formalizados continuará a crescer".

A Crimeia adotou hoje a moeda nacional russa, o rublo, que circulará na República junto com a grívnia, moeda ucraniana, até 1 de janeiro de 2015.

TÁRTAROS FAZEM REFERENDO ESTE SÁBADO (17h23)

Os tártaros da Crimeia, maioritariamente contra a anexação à Rússia da província autónoma da Ucrânia, vão realizar um referendo, no sábado, para definir a sua posição face ao futuro da região, anunciaram hoje, em Kiev.

De acordo com o líder dos tártaros, Mustafa Djemilev, a questão da reunificação vai ser discutida no congresso nacional dos tártaros, a decorrer no dia 29, em Simferopol. "Uma das questões a debater será a autodeterminação do povo tártaro. No dia 16 de março, não participámos no referendo e agora vamos organizar nós um referendo", frisou.

As questões que vão constar do referendo ainda não foram redigidas, mas a pertença territorial da Crimeia não deverá ser posta em causa, focando antes nas "formas de coexistência" no futuro, adiantou.

O líder tártaro deu a entender que a escolha não será fácil, já que as novas autoridades da Crimeia garantiram à comunidade uma quota em todos os órgãos de poder, válida por 20 anos, igualdade de estatuto para as línguas russa e tártara e apoio aos tártaros que, deportados durante o regime soviético de Estaline, queiram regressar à região.

Porém, contrapôs, há funcionários tártaros a serem despedidos e avisados de que só serão readmitidos se optarem pela cidadania russa.

No final, resumiu, a decisão dependerá muito da atitude das autoridades da Ucrânia e da sua capacidade para defender a permanência dos tártaros na Crimeia. "Vamos consultar as autoridades [ucranianas] sobre as nossas ações, mas se as autoridades nos abandonarem...", avisou.

De acordo com Djemilev, cerca de cinco mil tártaros deixaram a Crimeia nos últimos dias, dirigindo-se sobretudo para regiões no Oeste da Ucrânia. A comunidade tártara na Crimeia está estimada em 300 mil pessoas.

A península da Crimeia -- onde a maioria dos habitantes aprovou, em referendo realizado há uma semana, a reunificação com a Rússia -- é habitada maioritariamente por russos, mas um quarto da população é ucraniana (igualmente ortodoxos) e 12,1 por cento são tártaros (de religião muçulmana).

 

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