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União Europeia aceita adiar Brexit para evitar saída caótica

O período que deve durar o adiamento está a ser discutido, sendo que os líderes europeus querem evitar nova cimeira extraordinária.
Jornal de Negócios 23 de Outubro de 2019 às 18:51
Brexit, Reino Unido
Brexit, Reino Unido
Os 27 Estados-membros do bloco europeu querem evitar um Brexit desordenado e, como tal, aceitam conceder o adiamento da saída solicitado pelo governo britânico.

O período que deve durar esse adiamento está a ser discutido, sendo que os líderes europeus querem evitar nova cimeira extraordinária.

De acordo com a mesma agência noticiosa, os diplomatas dos países-membros da União decidiram voltar a encontrar-se na próxima sexta-feira, dia em que esperam chegar a acordo sobre a duração do adiamento. No passado sábado, o governo britânico, impelido pelo cumprimento da lei, requereu a Bruxelas uma extensão do artigo 50.º do Tratado de Lisboa de três meses, propondo assim consumar a saída do bloco europeu a 31 de janeiro.

No entanto, a Bloomberg escreve ainda que a França não concorda com um adiamento tão prolongado, o que iria agravar a incerteza em torno do processo, pelo que está a pressionar no sentido de uma extensão técnica de curta duração - até 15 de novembro - de modo a que o parlamento britânico tenha o tempo necessário à aprovação da legislação complementar que implementa o acordo de saída alternativo que Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, fechou com os líderes europeus. 

As reticências gaulesas não são propriamente uma novidade. No final do Conselho Europeu da semana passada, o presidente francês, Emmanuel Macron, não dava como certo um novo adiamento considerando ser, primeiro, preciso saber para que serviria, deixando assim no ar a possibilidade de Paris vetar tal extensão. Contudo, também aquando do segundo prolongamento, na altura pedido pela então primeira-ministra Theresa May, França fez ameaças idênticas mas acabou por viabilizar o pedido de Londres. 

A posição do primeiro-ministro britânico continua a ser ambígua. Depois de, no sábado, ter visto a Câmara dos Comuns condicionar a votação do seu acordo de saída à aprovação da legislação paralela necessária à respetiva implementação na ordem jurídica britânica, Boris Johnson enviou uma missiva a solicitar o referido adiamento e outra carta em que instava os líderes europeus a não aceitarem o pedido de extensão. 

Já na manhã desta quarta-feira, Johnson conversou com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o qual recomendou aos 27 a aprovação do pedido efetuado por Londres, tendo-lhe transmitido que não quer outro adiamento. Uma outra via foi sugerida por Leo Varadkar, primeiro-ministro irlandês, que concorda com o adiamento até 31 de janeiro mas que admite que o Reino Unido possa sair da União antes dessa data se, até lá, tiver concluído o processo legislativo que põe em prática os termos do divórcio acordados entre Londres e Bruxelas. 


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