China controla mais de 90% da capacidade de refinação de grafite e elementos de terras raras e processa cerca de 60% do lítio e cobalto globais.
A União Europeia quer tornar-se menos dependente da China no fornecimento de minerais críticos, essenciais às indústrias tecnológicas, através de parcerias com países terceiros e também do desenvolvimento de recursos próprios, afirmou segunda-feira a presidente da Comissão Europeia.
A "concentração" do fornecimento na China e a estratégia de autonomia europeia foi explanada por Ursula von der Leyen numa conferência de imprensa em Évian, pouco antes do início da cimeira do G7, onde o fornecimento de minerais críticos está na agenda.
Um dos três pilares da estratégia europeia é o "diálogo com a China", enquanto se aguardam progressos nos outros dois para diversificar fontes de abastecimento, o que exigirá tempo, referiu a presidente da Comissão Europeia.
O segundo pilar é o desenvolvimento dos recursos internos na UE, o que implicaria a exploração e refinação de minerais críticos e elementos de terras raras encontrados no subsolo.
Por fim, um "pilar muito importante" é a colaboração com países que possuem minerais críticos e que, em muitos casos, estão a ser explorados com investimento chinês, reforçando o controlo de Pequim sobre o mercado destes materiais.
Para cativar estes países, os europeus defendem acordos de comércio livre acompanhados de mecanismos que garantam que a extração destes minerais críticos cria valor nas suas cadeias de produção locais.
Isto implica gerar atividade e empregos relacionados com a extração, mas também, potencialmente, com a refinação.
"Quanto mais países parceiros aderirem a esta iniciativa, maior será a equidade e a igualdade de condições", enfatizou a Presidente da Comissão Europeia.
Von der Leyen recordou os problemas de abastecimento que alguns setores enfrentaram no ano passado, quando a China impôs controlos às exportações como instrumento de pressão diplomática.
A presidência francesa do G7 elegeu como um dos principais temas da cimeira a questão dos minerais críticos e dos riscos que a concentração chinesa representa para as cadeias de abastecimento industrial.
A questão será o tema de uma das sete declarações que estão a ser preparadas para este encontro dos líderes das sete nações mais ricas, para o qual a França também convidou países terceiros.
Em entrevista ao canal francês TF1, poucas horas antes do início da cimeira, Macron enfatizou o seu interesse em chegar a um acordo sobre minerais críticos e elementos de terras raras durante o encontro, que está previsto durar até quarta-feira.
"Isto é bom para reduzir a nossa dependência e diversificar o nosso fornecimento", observou o chefe de Estado francês, reconhecendo que estabelecer cooperação e, assim, evitar impasses é "um dos maiores desafios deste G7".
A China concentra quase 70% da produção global total de minas de terras raras e controla mais de 90% da cadeia de valor, incluindo a separação de óxidos, a refinação de metais e a produção de ímanes.
No caso de alguns elementos essenciais para ímanes usados na indústria de Defesa, a posição chinesa é de monopólio.
Nas terras raras magnéticas, a China foi responsável por cerca de 60% da produção mineira global em 2024, seguida por Myanmar, Austrália e Estados Unidos, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
De acordo com o Relatório de Mercado de Minerais Críticos de 2024 da AIE, a China ocupa posições de liderança na refinação de 19 dos 20 minerais estratégicos, com uma quota de mercado média de aproximadamente 70% em lítio, cobalto, grafite e terras raras.
A China controla mais de 90% da capacidade de refinação de grafite e elementos de terras raras e processa cerca de 60% do lítio e cobalto globais.
O minério bruto da Austrália, África ou América do Sul tem normalmente de passar por refinarias chinesas antes de chegar aos fabricantes de baterias, produtores de eletrónica ou empresas aeroespaciais de todo o mundo.
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