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Correio da Manhã

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Um chefe com azar na política

Ficar associado como secretário de Estado do Tesouro à maior intervenção da administração pública dos EUA no mundo da finança estava completamente fora dos projectos de Paul Paulson. No entanto, há uma semana foi ele quem assumiu a necessidade de o Congresso aprovar uma mobilização de 700 mil milhões de dólares para travar o colapso do sistema financeiro.
27 de Setembro de 2008 às 00:30
Um chefe com azar na política
Um chefe com azar na política FOTO: Jason Reed/Reuters

 E mais uma vez a realidade política revelou-se-lhe adversa. O plano acabará por ser aprovado por democratas e republicanos, até porque nenhum deles quer ver o país na falência, mas muito rectificado pelos políticos.

Henry Paulson, de 62 anos, é um liberal, convicto nos valores do capital e do mercado, conservador por ideologia e na vida pessoal, com uma ambição e pragmatismo de campeão de futebol americano que sabe como se ganha um despique num campo de jogos, mas menos à vontade nos meandros da secretaria e da política.

De resto, apesar da paixão pelo Partido Republicano, de que é um dos maiores financiadores, Paulson é um desiludido da política. Depois do MBA em Harvard teve como primeiro emprego uma assessoria na Secretaria de Estado da Defesa. Passou a seguir pelo Pentágono e pelo gabinete de John Ehrlichman, um dos políticos que caíram com o presidente Nixon, no Watergate. Ao mesmo tempo que o inquilino da Casa Branca renunciava, Paulson arranjou emprego na Goldman Sachs. Disse na altura que a política estava cheia de corruptos.

Após 32 anos na financeira que fornece muitos gestores de topo à política, os jogos de influência no Partido Republicano levaram Paulson a aceitar o cargo de secretário de Estado do Tesouro – trocou um posto de CEO que lhe rendeu 40 milhões de dólares no último ano de Goldman Sachs por um cargo onde recebe cerca de 200 mil dólares por ano.

Para a Casa Branca a ideia era falar de cima com Wall Street. Henry Paulson mostrou, porém, inadaptabilidade. Na primeira conversa com George W. Bush, em Julho de 2006, o presidente pediu-lhe para prevenir "os problemas das crises que acontecem todos os seis, oito ou dez anos". No dia seguinte, conta a ‘Newsweek’, o responsável do Tesouro telefonou ao presidente para ele explicar a que género de perturbações financeiras se referia. Nove meses depois rebentou o subprime e o tudo mais que se tem visto. O poder financeiro dos EUA esteve à beira do colapso e nunca mais será o império que era. Paulson viu tudo acontecer sem nada conseguir emendar.

PERFIL

Henry Merritt ‘Hank’ Paulson jr. nasceu a 28 de Março de 1946 em Palm Beach, na Florida, filho de um ourives que levou a família para Barrington Hills, no Illinois. Um MBA na prestigiada Harvard Business School, em 1970, valeu-lhe emprego na política em Washington e, depois, uma carreira de 32 anos no banco de investimentos Goldman Sachs. É casado há 40 anos com Wendy. Tem dois filhos e um neto nascido em 2007.

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