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UM DURO COMBATE

O segundo debate entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos foi melhor do que o primeiro - sobretudo para o presidente Bush -, foi mesmo um dos melhores de sempre e o formato permitiu tornar mais clara as diferenças entre ambos.
10 de Outubro de 2004 às 00:00
UM DURO COMBATE
UM DURO COMBATE FOTO: Jhon Gress/Reuters
O resultado mais aceite foi o empate. Estudos de opinião dão uma ligeira vantagem a Kerry na noite de anteontem de um ou dois pontos - tecnicamente um empate - mas a impressão geral é que Bush melhorou muito em relação ao primeiro debate e Kerry voltou a mostrar o que as pessoas não conseguiam ver nele antes - o perfil para presidente.
Este debate realizou-se na Universidade de Washington em St. Louis, no Missouri, e tinha um formato diferente: eram votantes indecisos ou não ligados a qualquer dos grandes partidos a fazerem as perguntas (e fizeram-no sem se engasgarem). Os contendores estavam sentados em cadeiras altas com uma mesa à frente e andavam pela sala mas não podiam ultrapassar uma área definida.
O formato pedia uma linguagem corporal importante e dotes de actor porque os espectadores estavam a um metro. Bush esteve mais à-vontade, Kerry igualmente bem e as divergências ficaram mais claras, mesmo as que se conheciam.
A guerra no Iraque foi o primeiro campo de batalha e Kerry voltou a uma posição pouco definida a favor da deposição de Saddam mas contra a guerra. "A guerra certa era a Osama que estava em Tora Bora". Bush foi directo: "Reduzir a guerra ao terrorismo a Osama é um erro. Saddam era uma séria, séria ameaça. A decisão de fazer a guerra no Iraque foi absolutamente certa. Pode não ser popular, mas eu quero é tomar as decisões certas".
Kerry aproveitava para falar de questões sobretudo económicas. "Este é o primeiro Presidente em 72 anos a perder empregos ao longo do seu tempo na Casa Brana. 1,6 milhões de empregos". O número parece ser apenas de 600 mil, se se contar o emprego criado no sector público, mas Bush não foi por aí. "Tivemos uma recessão. A bolsa estava a cair já seis meses antes de eu ser Presidente. Mas há 1,9 milhões de empregos criados nos últimos 13 meses. Estamos a andar para a frente". A uma pergunta, Kerry foi junto de uma câmara dizer: "Não vou aumentar impostos". Bush saltou da cadeira: "Ou não cumpre as suas belas promessas ou vai aumentar os impostos. Eu acho que vai ser a segunda hipótese".
A questão do corte nos impostos é muito americana, mas Bush envolveu Kerry com um marca: "É o mais liberal membro do Senado", citando uma publicação e liberal é normalmente algo mal visto nos EUA. Kerry recusou o epíteto: "Vejam: o Presidente está a tentar amedrontar-vos, essas marcas não dizem nada e ele tem os maiores défices da história da América. Eu quero pôr-vos dinheiro no bolso com melhor saúde. Quero aumentar os impostos aos que ganham mais de 200 mil dólares anuais e aqui nesta sala, se vejo bem, só há três pessoas que se podem queixar: o Presidente, eu próprio e desculpe lá, Charles Gibson", referindo-se ao moderador da noite, jornalista datelevisão ABC.
O MELHOR E O PIOR
George Bush tinha, desta vez, uma frase sempre pronta: "Ele pode fugir, mas não pode esconder-se", repetia, para acentuar as posições mais inconsistentes de John Kerry. Disse-a sobre o Iraque e sobre aquilo a que chamou "uma das mais famosas frases da história: votei a favor antes de votar contra", dita por Kerry quando se discutiu dinheiro para as tropas no Iraque. Repetiu-a sobre os impostos quando chamou "liberal" a Kerry e também no fim, sobre o aborto. Kerry disse que era "católico", mas não pode "impor a todos esta forma de pensar e não posso condenar o aborto de uma múda de 16 anos que sofreu o abuso do próprio pai". Bush foi duro: "Como Presidente, não haverá dólares dos contribuintes a financiar abortos".
Kerry teve os melhores pontos a propósito dos seguros de saúde, da popular questão dos cortes de impostos para os que ganham mais de 200 mil dólarese e disse que queria mais países na coligação no Iraque. Bush respondeu bem: "Digam a Blair que estamos sozinhos, a Berlusconi. Estão a sacrificar-se connosco". Mas Kerry foi forte: "Sr. Presidente: já saíram oito países da coligação e não entrou nenhum. Está a desfazer-se".
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