Incidente ocorreu na localidade de Moiane, distrito de Gilé, na província da Zambézia.
Uma pessoa morreu e duas ficaram feridas no desabamento de uma mina ilegal na província da Zambézia, elevando para 10 o número de mortos em menos de uma semana em acidentes semelhantes no centro de Moçambique.
O incidente ocorreu na localidade de Moiane, distrito de Gilé, na província da Zambézia, em mais um caso mortal provocado por um desabamento de terras numa exploração mineira ilegal, disse hoje o administrador distrital à comunicação social.
"Estamos a falar de três [pessoas] que foram, infelizmente, cair nessa desgraça de desabamento", disse Pascoal Sitóe, acrescentando que as vítimas eram provenientes da província de Nampula, no norte do país, e se encontravam no local para a prática de garimpo destinado ao sustento das famílias.
O dirigente afirmou ainda que as autoridades procuram reforçar a vigilância naquela zona, embora recorde que anteriores ações semelhantes resultaram na destruição de um posto policial e de outros estabelecimentos por populares que recusavam a intervenção do Estado.
"Aquele local está muito à margem do domínio da nossa intervenção como Governo local. Está sendo difícil, a própria polícia não está sendo muito concedido para fazer a intervenção", disse Pascoal Sitóe.
Este é mais um caso de desabamento de terras associado à mineração ilegal com vítimas mortais e que eleva para 10 o número de mortos registados em menos de uma semana em províncias do centro de Moçambique onde a prática do garimpo é frequente.
O caso mais recente ocorreu no distrito de Vanduzi, na província de Manica, também no centro do país, onde pelo menos nove pessoas morreram em três dias devido a desabamentos de terras em zonas de mineração ilegal, segundo o administrador distrital, Armindo Canhenze.
Na sexta-feira, Armindo Canhenze disse que seis pessoas morreram na madrugada de quinta-feira num desabamento ocorrido naquela área de exploração ilegal, depois de duas vítimas mortais registadas na quarta-feira e uma na terça-feira, em incidentes semelhantes na mesma província.
Segundo o administrador, a procura de ouro provocou a expansão progressiva da área escavada, que atingiu cerca de 20 metros de profundidade e 25 metros de diâmetro.
A escavação começou com cerca de meio metro de profundidade após a descoberta de ouro no local, atraindo sucessivamente mais garimpeiros. Armindo Canhenze alertou que a concentração de centenas ou milhares de pessoas, sobretudo durante a época chuvosa, fragiliza o terreno e aumenta o risco de soterramentos.
Os acidentes ocorrem numa altura em que as autoridades moçambicanas têm manifestado crescente preocupação com a mineração ilegal e descontrolada em Manica, devido aos riscos para as comunidades, aos impactos ambientais e à exploração ilícita de recursos minerais.
Face à situação, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou no sábado que a aprovação, nos próximos dias, do regulamento da nova Lei de Minas vai permitir reorganizar o setor e reforçar o controlo da atividade mineira, prevenindo acidentes associados à exploração ilegal.
Segundo Chapo, o novo regulamento deverá reforçar os mecanismos de fiscalização e controlo da atividade mineira, contribuindo para reduzir incidentes provocados pela exploração ilegal de recursos minerais noutras províncias do país, incluindo Manica.
Em julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou para a presença de menores em atividades de mineração ilegal naquela província, depois de ter identificado cerca de 900 pontos de escavação onde trabalhavam várias pessoas, incluindo crianças com menos de 15 anos.
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