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Correio da Manhã

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UM NOVO DUTROUX

Os belgas estão a viver um novo pesadelo. Quando pensavam que podiam respirar de alívio com o seu ‘monstro’ atrás das grades para todo o sempre, eis que um francês confessa ter abusado sexualmente e morto seis crianças não só na Bélgica como em França. Quantos mais Dutroux estarão por apanhar?
1 de Julho de 2004 às 00:00
A casa onde vivia o guarda florestal francês Michel Fourniret
A casa onde vivia o guarda florestal francês Michel Fourniret FOTO: David Martin/EPA
Detido em 26 de Junho do ano passado pelo sequestro frustrado em Ciney (sul da Bélgica) de uma adolescente de 13 anos de origem congolesa, Michel Fourniret, um guarda florestal de 62 anos, acabou por confessar esta semana que matou seis crianças na Bélgica e França.
A confissão chocou belgas e franceses, mas sobretudo os primeiros, que ainda têm bem fresco na memória as monstruosidades cometidas pelo pedófilo Marc Dutroux.
Tal como no caso do chamado ‘monstro de Charleroi’, também neste houve a conivência da mulher, cujo depoimento à Polícia indica que Fourniret cometeu mais crimes do que aqueles que admitiu. Detida no passado dia 24, Monique Olivier confessou o envolvimento do seu marido em nada menos do que nove crimes de sequestro e assassínio de crianças adolescentes na Bélgica e França e garantiu que entre eles se conta o de Elisabeth Brichet, de 12 anos, sequestrada em Namur a 20 de Dezembro de 1989.
Confrontado com esta acusação, Fourniret acabou por admitir que atraiu Elisabeth para dentro do seu carro, praticou sevícias, estrangulou--a, enterrando-a em seguida. O corpo da menina nunca foi encontrado mas os procuradores públicos encarregados deste caso acreditam, segundo disseram ontem numa conferência de imprensa em Liège (Bélgica), que ele tenha sido enterrado junto à propriedade de Fourniret, em Château de Sautou, próximo de França.
As polícias belga e francesa estão a trabalhar em conjunto neste caso e acreditam que o guarda florestal estará implicado nos assassínios de Céline Saison, de 18 anos, dada como desaparecida em Março de 2000, de Manyana Thumpong, de 13 anos, sequestrada em Maio de 2001, e de Estelle Mouzin, de nove anos, desaparecida de Guermantes (França) a 9 de Janeiro passado. Os corpos das duas primeiras foram encontrados na região florestal de Ardènnes, na Bélgica, não longe da casa onde Fourniret viveu durante dez anos. Por outro lado, Estèlle residia num local onde o homicida confesso se deslocava com alguma frequência para ver os seus dois filhos.
Refira-se que o homicida confesso fora condenado em 1987 em França por violações de menores, ameaças à mão armada e atentado ao pudor com violência. Na Bélgica, o guarda florestal francês ainda só foi acusado de atentado ao pudor e sequestro da jovem de Ciney, que conseguiu escapar, e de tentativa de sequestro de uma adolescente de 14 anos em Fevereiro de 2000.
O 'MONSTRO' DE CHARLEROI'
Marc Dutroux, um electricista desempregado de 47 anos, era o homem mais odiado da Bélgica. Quando no passado dia 22 o tribunal de Arlon o condenou à prisão perpétua, os belgas respiraram de alívio. O ‘monstro de Charleroi’ já não ia molestar e matar mais crianças. Mas o caso de Michel Fourniret fez recordar que andam à solta muitos outros Dutroux.
Apesar de as vítimas sobreviventes, Sabine e Laetitia, terem contado que só Dutroux abusou delas, muitos acreditam que no caso do pedófilo belga muitas culpas foram abafadas. O ‘monstro de Charleroi’ garantia a existência de uma rede, da qual faziam parte figuras influentes, mas em Arlon só ficou provada a culpa dos quatro réus: a de Dutroux, acusado de ter abusado sexualmente de seis adolescentes e da morte de quatro delas, a da sua ex-mulher Michèlle Martin, condenada a 30 anos de prisão por sequestro, a do toxicodependente Michèl Lelièvre, que vai cumprir uma pena de 25 anos de prisão também por sequestro e tráfico de drogas e, finalmente, a do empresário Michel Nihoul, que foi condenado a cinco anos de prisão por tráfico humano e de drogas.
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