Mesmo para casos graves de crianças ou grávidas, equipa médica sente "muitas dificuldades" para transportar os doentes para o hospital.
O arquipélago das Bijagós, na Guiné-Bissau, com cerca de 33 mil pessoas divididas por 23 ilhas habitadas, conta com um único hospital, instalado em Bubaque, salientou à Lusa Élcio Marques Vieira, enfermeiro na ilha de Formosa.
Élcio e dois outros enfermeiros trabalham no centro de saúde de Formosa, mas deviam atender de forma regular as populações das ilhas vizinhas de Tchedignha, Nghago e Maio, o que nem sempre conseguem devido à falta de meios de transporte.
Mesmo para casos graves de crianças ou grávidas, Élcio e a sua equipa sentem "muitas dificuldades" para transportar aqueles doentes para o hospital de Bubaque, contou à Lusa.
"Somos um centro de saúde tipo C para cuidados primários. Recebemos o doente e damos assistência durante três dias, se não melhorar teremos de o levar para Bubaque, onde existe um hospital regional", explicou.
Para estas e outras deslocações, a equipa de Élcio acaba por recorrer às canoas de pescadores, mesmo sabendo que "não têm as mínimas condições" para transportar doentes ou medicamentos em condições de segurança.
"Por exemplo, neste momento, não temos paracetamol em xarope, só vamos ter isso talvez para a semana", observou.
O enfermeiro gostava que o Governo ampliasse o centro de saúde de Formosa para albergar mais técnicos que atualmente praticamente partilham o mesmo espaço.
"É preciso ampliar o centro para criar uma pequena pediatria e também separar as salas das consultas para adultos e para crianças", defendeu Élcio Marques Vieira, que trabalha nas ilhas Bijagós há cerca de dez anos.
Antes de chegar ao centro de saúde de Formosa, Élcio trabalhou nas ilhas de Unhocume e Sogá.
A enfermeira Tamara Fernandes Monteiro Sá trabalhou nas ilhas de Caravela, Bubaque e Uno entre 2014 e 2020, até regressar ao Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, mas não se esqueceu das dificuldades experimentadas para "resolver os problemas dos doentes, sobretudo das grávidas".
"Há ilhas perto de Bubaque a que não é fácil aceder, a não ser que a pessoa venha até Bissau e apanhar uma piroga", exemplificou Tamara Sá, enaltecendo os apoios que recebia de um projeto das Organizações Não Governamentais (ONG) que trabalham na zona.
A enfermeira considera as ilhas Bijagós como zona rica, mas onde existe "pouca produtividade" e "falta de tudo", nomeadamente transportes e agências de transferência de dinheiro, o que acaba por encarecer os produtos de primeira necessidade.
O arroz, base da dieta alimentar dos guineenses, é vendido quase ao dobro do preço em relação à zona continental do país, disse Tamara Sá, salientando que o produto vem de Bissau.
"Digamos que não há dinheiro em circulação nas ilhas" Bijagós, observou a enfermeira.
O pescador Ibraima Barros, baseado na ilha de João Vieira Poilão, está contente que o arquipélago dos Bijagós seja considerado Património Mundial Natural pela UNESCO, mas já vê com maus olhos a possibilidade de aumentar o interesse de mais visitantes à região.
"Haverá grande vantagem para o Estado da Guiné-Bissau, mas desde que não traga restrições na zona de pesca, porque isso poderá impactar negativamente nas nossas atividades", afirmou Ibraima Barros.
O jornalista da rádio comunitária Okimka Pampa, na ilha de Orango Grande, Domingos Alves não tem dúvidas sobre "a bondade" do reconhecimento para o arquipélago das Bijagós, mas já não tem certeza sobre se o Estado da Guiné-Bissau terá a capacidade para fiscalizar as atividades de pesca na zona envolvida, ilhas de João Vieira Poilão, Orango e Formosa.
Domingos Alves apontou como estratégia "a sensibilização contínua" das populações do arquipélago dos Bijagós.
As ilhas, consideradas um tesouro natural e cultural, fazem parte da lista de 32 sítios de todo o mundo candidatos a Património Mundial, que vão conhecer a decisão da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, a 11 de julho, em França.
A 47.ª reunião do Comité do Património Mundial decorre até 16 de julho, na sede da UNESCO em Paris, França.
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