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Correio da Manhã

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UNIÃO HISTÓRICA DAS FACÇÕES PALESTINIANAS

Numa decisão histórica, 13 facções palestinianas, incluindo o Hamas, a Jihad Islâmica e a Fatah, decidiram criar uma autoridade colegial e vão reunir-se hoje em Gaza para discutir questões de segurança e eventualmente da sucessão.
6 de Novembro de 2004 às 00:00
“Decidimos formar uma direcção unificada em que estamos todos representados e assim constituímos numa referência para o governo palestiniano e para a Organização de Libertação da Palestina (OLP)”, explicou Jaled al-Bascha, da Jihad Islâmica.
Nesta reunião extraordinária, prevista para ontem e adiada para hoje, serão discutidas medidas para prevenir uma situação caótica no caso de ser anunciada a morte do líder palestiniano. Nela estarão presentes alguns dos líderes extremistas perseguidos por Israel .
Depois deste histórico encontro, representantes do Comité Superior Islâmico e Nacional, um organismo que integra a Fata, considerada o ‘braço armado’ da OLP, e a Frente Popular de Libertação da Palestina, vai reunir-se com os dirigentes da Autoridade Palestiniana para lhes apresentar o que foi acordado.
A questão da sucessão deverá igualmente ser abordado neste encontro. Segundo a lei palestiniana, em caso de falecimento do presidente, assume formalmente o cargo o presidente do Parlamento, Rawhi Fattouh, embora a gestão do governo fique nas mãos do primeiro-ministro.
Por sua vez, o ‘número dois’ da OLP assumirá a direcção da organização e, juntamente com Qorei, preparará as eleições presidenciais, a realizar num período de 60 dias.
‘GUERRA’ DE SUCESSÃO
Nos bastidores, os candidatos à sucessão de Arafat estarão já a movimentar-se, embora oficialmente tal não se reconheça. O ministro palestiniano Saeb Krekat assegurou que não há vazio de poder e que não haverá uma ‘guerra’ entre as facções na escolha de um sucessor.
Além de Qorei, Abbas e Fattouh são ainda candidatos à sucessão de Arafat o ex-ministro da Segurança palestiniano, Mohamed Dahlan, e Marwan Barghouti, detido em Israel e um dos líderes mais populares entre os palestinianos.
Durante todos estes anos em que esteve à frente dos destinos da Palestina, Yasser Arafat nunca falou publicamente num sucessor. O jornal israelita ‘Maariv’ afirma que Arafat terá deixado um testamento em que dá o seu apoio a Farouq Kaddoumi, um dirigente ‘duro’ da OLP que está em Tunes e discorda com os Acordos de Oslo. Mas Qorei negou a existência de tal documento.
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