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Correio da Manhã

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Unicef ajuda Angola a prevenir infeções em crianças desnutridas nos hospitais

Fundo de Emergência teve também de reajustar ações para apoiar governo angolano a responder aos efeitos da covid-19.
Lusa 14 de Outubro de 2020 às 19:17
Unicef
Unicef FOTO: Getty
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) está a apoiar o Governo angolano a implementar protocolos simplificados para o tratamento de casos de desnutrição, que evitem a propagação da covid-19 em ambiente hospitalar, foi hoje anunciado.

A informação foi esta quarta-feira avançada pela especialista em nutrição e responsável pela coordenação de programas de desnutrição do UNICEF em Angola, Fanceni Balde, quando comentava os elevados índices de fome em crianças no país lusófono.

Na semana passada, um relatório da Direção Nacional de Saúde Pública angolano, citado pelo semanário Novo Jornal, indicava que 8.413 crianças morreram por desnutrição, em mais de 66.000 que estiveram internadas nos hospitais públicos do país, no primeiro semestre deste ano.

Fanceni Balde disse que o Unicef está a apoiar a capacitação de técnicos de saúde e agentes comunitários para fazerem a despistagem e encaminhamento das crianças desnutridas de forma segura, aconselhando ainda o envolvimento comunitário das famílias para utilizarem alimentos localmente disponíveis, com vista a melhorar a qualidade alimentar e garantir que se tornem mais resilientes e resistentes às doenças e à própria pandemia.

O Unicef teve também de reajustar as suas ações para apoiar o Governo angolano a responder aos efeitos negativos da covid-19 nas populações mais vulneráveis que venham a contrair o vírus.

Segundo a especialista, as populações mais desnutridas e com privações alimentares, provavelmente terão resultados menos favoráveis do que as populações bem alimentadas e menos vulneráveis, caso contraiam a covid-19.

"Ultimamente, de facto, em relação à crise económica angolana, temos considerado que a própria evolução da pandemia da covid-19, associada a todas as restrições de movimentação da população e distanciamento social, têm tido um impacto significativo ao nível da situação socioeconómica, por si só já frágil, incluindo o aumento da taxa de insegurança alimentar e desnutrição, sobretudo nas populações mais vulneráveis e aquelas que já tinham sofrido efeitos da seca no ano passado", disse.

De acordo com Fanceni Balde, em tempos de emergência "é muito importante" garantir que serviços sociais básicos, tais como a saúde e nutrição adequada, possam ser prestados de forma contínua e segura às populações mais vulneráveis para "mitigar o impacto do choque económico social na sua vida".

A especialista adiantou que o Unicef tem estado a trabalhar de forma muito próxima com o Ministério da Saúde, os gabinetes provinciais de saúde e parceiros de implementação dos projetos para reduzir as taxas elevadas de desnutrição no país.

O apoio tem sido no sentido da implementação de pacotes integrados e multissetoriais de baixo custo e de alto impacto, com intervenções associadas de saúde, nutrição, água e saneamento e proteção social, com vista a melhorar as condições de vida das grávidas, bebés e crianças até aos primeiros cinco anos de vida.

"Esta abordagem permite-nos podermos implementar aquilo que tem sido aconselhados aos Estados-membros, que é a abordagem dos mil primeiros dias, que é considerada janela de oportunidade para nós podermos, de facto, garantir que as crianças nos primeiros dois anos de vida têm tudo o que é necessário para poderem desenvolver o seu potencial para a vida futura", disse.

A responsável especificou que a organização tem estado a engajar agentes comunitários para sensibilizarem as mães sobre práticas de alimentação materna, dos recém-nascidos e infantil.

"Temos estado também a disponibilizar suplementos nutricionais para o tratamento da desnutrição, mas também para o combate à carência de micronutrientes, então damos cápsulas de vitamina A, múltiplos micronutrientes para poder apoiar com suplementação das grávidas e das crianças pequenas", garantiu.

As organizações de base local têm igualmente sido envolvidas nesses projetos, "para ensinar as mães, através das cozinhas comunitárias e as hortas comunitárias, a diversificar a alimentação a nível familiar e também a integrar melhor os conceitos de prevenção e combate à desnutrição, através da diversificação da produção agrícola".

A desnutrição em Angola, avançou Fanceni Balde, é mais prevalente na infância e tende a acompanhar o problema da pobreza, bem como das condições de vida ligadas à higiene do meio, ao saneamento, à escolarização das mulheres e das mães e a qualidade da assistência em saúde.

"Com base na nossa experiência do terreno, achamos que a desnutrição em Angola tem causas de origem multifatorial e multissetorial, por isso, o combate deve ser com o envolvimento de vários setores, para mitigar as assimetrias sociais e garantir o acesso equitativo e equilibrado à alimentos em quantidade e qualidade", realçou.

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