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Correio da Manhã

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UNITA teme vaga de assassinatos

A manifestação de dia 7 em Luanda está a provocar uma imensa agitação política em Angola, a tal ponto que o presidente da UNITA alertou a comunidade internacional para a possibilidade de o regime de José Eduardo dos Santos estar a preparar o assassinato de adversários políticos, incluindo altos dirigentes do partido fundado por Jonas Savimbi.

4 de Março de 2011 às 00:30
Isaías Samakuva chega a Luanda amanhã de manhã
Isaías Samakuva chega a Luanda amanhã de manhã FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

Um grupo denominado Movimento Revolucionário do Povo Lutador de Angola marcou, através da Internet, uma manifestação para segunda-feira, dia 7. O MPLA, no poder, respondeu com outra, marcada para amanhã. E o Presidente Eduardo dos Santos pôs as forças de segurança e as Forças Armadas em estado de alerta.

Isaías Samakuva, presidente da UNITA, afirmou ontem em Lisboa que o seu partido tinha fortes desconfianças de quem estaria a organizar a manifestação de dia 7. E aponta o dedo ao MPLA e ao Presidente de Angola, que, assim, estariam a criar as condições para desencadear uma repressão violenta contra a oposição, nomeadamente com o assassinato de adversários políticos e de altos quadros da UNITA: "Chegou ao conhecimento da UNITA ser intenção do regime do Presidente José Eduardo dos Santos engendrar esta semana um cenário que justifique o assassinato de adversários políticos, em particular os mais altos dirigentes da UNITA."

Neste quadro de agitação e medo, Isaías Samakuva garantiu que o seu partido não apoia a manifestação de protesto.

MPLA DENUNCIA PORTUGAL

Altos quadros do MPLA, partido no poder em Angola, acusaram esta semana os Estados Unidos e vários países europeus, entre os quais Portugal, de estarem a fomentar a manifestação de protesto marcada para segunda-feira em Luanda.

Num clima de crescente agitação política, o MPLA está a preparar uma outra manifestação de apoio a José Eduardo dos Santos, que está no poder há 31 anos sem nunca ter sido eleito. Um mandato tão longo como os de outros ditadores do Médio Oriente e do Norte de África que estão a ser alvo contestação, num movimento de dominó que as autoridades de Luanda pretendem evitar. A manifestação de dia 7, segundo os seus organizadores, denunciam a corrupção e as condições de vida miseráveis de milhões de angolanos.

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