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Correio da Manhã

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Vacina russa Sputnik V não convence cientistas

Rússia torna-se no primeiro país a aprovar uma vacina. Cientistas questionam decisão de a registar antes da última fase de ensaios.
Edgar Nascimento 12 de Agosto de 2020 às 01:30
Vacina Covid-19 Rússia 8
Vacina Covid-19 Rússia 5
Vacina contra a Covid-19
Vacina Covid-19 Rússia 7
Vacina Covid-19 Rússia 8
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Vacina Covid-19 Rússia 5
Vacina contra a Covid-19
Vacina Covid-19 Rússia 7
A União Soviética ganhou a primeira batalha da corrida espacial aos EUA em 1957 quando colocou no espaço o primeiro objeto terrestre: o satélite Sputnik-1. Esta terça-feira, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou uma ‘vitória’ na Covid-19: o país que tem quase 900 mil casos tornou-se o primeiro no Mundo a aprovar uma vacina, denominada Sputnik V. A vacina dará imunidade até dois anos e já haverá 20 países interessados, sendo que o estado brasileiro do Paraná já manifestou vontade em produzi-la.

Tal não significa que a Sputnik V seja a primeira vacina a chegar ao mercado: está prevista ser comercializada a partir de 1 de janeiro de 2021, mas há outras em desenvolvimento que estão já na última fase de testes em humanos e que poderão ser administradas ainda este ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 150 vacinas estão a ser desenvolvidas e testadas, das quais 25 estão na fase de testes em humanos.

O anúncio de Putin – que para comprovar a eficácia da vacina disse que uma das filhas já a tomou – não colheu muitos elogios junto da comunidade científica internacional, que questiona a decisão de registar a vacina antes de se completar a chamada Fase 3 do estudo – testes em larga escala em humanos que por norma demora vários meses e que é a única forma de se provar que a vacina experimental é segura e funciona.

“Seis meses será o mínimo ‘obrigatório’ de testes em humanos, e depois é necessário verificar o desenvolvimento dos sintomas. Não é possível dizer se a imunidade é duradoura com apenas dois meses de testes”, explicou à CMTV Gustavo Tato Borges, vice-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública. Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, tem sérias dúvidas em relação à vacina russa. “Este anúncio preocupa-me, pois não é baseado na ciência. Não sabemos como é que funciona o sistema de saúde russo, há falta de transparência em oligarquias como a russa”, adverte.

Para já, a Rússia vai avançar com a vacinação em massa a partir de outubro, após o fim dos ensaios clínicos. Médicos e professores serão os primeiros a ser inoculados com a vacina Sputnik V.

DEPOIMENTOS
Tarik Jasarevic, porta-voz da OMS
"Estamos em contacto com as autoridades russas para uma possível pré–qualificação da Organização Mundial da Saúde para a vacina. A pré–qualificação de qualquer vacina exige a avaliação e validação de todos os dados de segurança e eficiência."

Gustavo Tato Borges, vice-presidente da Associação Nacional dos médicos de saúde pública
"A metodologia implementada para os testes e os resultados obtidos têm de ser analisados por uma instituição idónea e imparcial, que possa ter uma avaliação completa e muito cuidada dos passos que foram dados. Dois meses é um tempo muito curto."

Jaime Nina, infecciologista, Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT)
"Este anúncio é uma técnica de marketing, um bluff. A Rússia está a marcar posição, até porque anuncia que a vacina está disponível em janeiro quando os ingleses já têm uma na Fase 3 e que deverá ter resultados em novembro."

Jorge Roque da Cunha, sec.-geral Sindicato Independente Médicos
"Manda a prudência e todos os cuidados científicos que perante uma nova vacina haja testes em humanos e que se demonstre a sua eficácia e que não faz mal. Há a maior das desconfianças em relação a esta notícia. É essencial haver transparência."
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