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Correio da Manhã

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VATICANO ADIA ABERTURA DE ARQUIVOS

O Vaticano adiou para 15 de Fevereiro a abertura condicionada dos seus arquivos relativos à actividade do futuro Papa Pio XII enquanto núncio apostólico na Alemanha, inicialmente prevista para Janeiro.
28 de Dezembro de 2002 às 16:24
Papa Pio XII
Papa Pio XII
Para além de adiar a abertura dos arquivos, o Vaticano limitou a sua consulta a académicos, após o devido pedido formal, e avisou que os documentos relativos a 3 dos 17 anos abrangidos desapareceram devido aos bombardeamentos nazis na II Guerra Mundial.

A postura do Papa Pio XII durante a II Guerra Mundial, demasiado branda para com o Holocausto nazi, tem suscitado duras críticas por parte de diversas organizações, sobretudo judaicas, e motivou mesmo, este ano, um pedido de desculpas apresentado pelo Papa João Paulo II.

O facto de o Papa Pio XII ter sido embaixador do Vaticano na Alemanha antes de ser eleito Papa, quando ainda era só o cardeal Eugenio Pacelli, contribuiu para o adensar das críticas. O Vaticano argumenta que o silêncio de Pio XII foi uma estratégia para tentar evitar a perseguição de cristãos, mas esta explicação não satisfaz os críticos.

Sob pressão, o Vaticano aceitou revelar os arquivos sobre as suas relações com a Alemanha nazi. Mas a abertura foi adiada e condicionada, até no período de tempo a que se referem os documentos.

Assim, o Vaticano anunciou a abertura de documentos relativos ao período de 1922 a 1939, quando o cardeal Pacelli era núncio apostólico na Alemanha, mas avisou que não há documentos para os anos de 1931 a 1934 e manteve secretos os arquivos mais desejados pelos críticos, aqueles que remetem para o pontificado de Pio XX (1939-58).
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