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Venezuela decide hoje em plebiscito se invade e anexa a vizinha Guiana

Consulta popular foi determinada por Nicolás Maduro, que está em plena campanha para mais uma reeleição ao cargo de presidente do país.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 3 de Dezembro de 2023 às 14:23
Nicolás Maduro
Nicolás Maduro FOTO: Lusa

Numa situação absolutamente inconcebível nos tempos de hoje, a Venezuela vota este domingo em plebiscito nacional se as suas Forças Armadas devem ou não invadir e anexar a região de Essequibo, que fica na vizinha Guiana.

Essequibo, que tem uma área de 160 mil quilómetros quadrados e uma população de 120 mil habitantes, corresponde a quase 70% de todo o território da Guiana e é extremamente rico em diamantes, ouro, níquel, bauxita e, principalmente, petróleo.

A consulta popular foi determinada pelo ditador venezuelano, Nicolás Maduro, que está em plena campanha para mais uma reeleição ao cargo de presidente do país, e tem usado a possibilidade de anexar a maior parte do país vizinho para tentar aumentar popularidade, prometendo mais riqueza à Venezuela.

Muitos analistas internacionais consideram que a ameaça de Maduro de invadir o país vizinho é mera retórica eleitoral, mas outros alertam que com ele nunca se sabe, e que o melhor é todos na região estarem preparados para o pior.

Foi o que já fez o Brasil, que ao longo desta semana enviou tropas, tanques e grande quantidade de munições para Pacaraima, principal cidade da região de fronteira com a Venezuela, e por onde, em caso de Maduro realmente decidir invadir a Guiana por terra em larga escala, as tropas venezuelanas terão de passar.

A Venezuela faz fronteira direta com a Guiana, mas o terreno do lado guianês é tão acidentado e tem uma floresta tão densa e cerrada que impossibilita uma invasão terrestre, restando à Venezuela, se quiser concretizar essa tresloucada ação, entrar no Brasil por Pacaraima, ir até às cidades brasileiras de Bonfim e Normandia e, aí sim, entrar na Guiana por caminhos bem mais acessíveis.

Com um poderio bélico bem menor do que o da forte Venezuela, armada com equipamentos de última geração ao longo dos últimos anos pela China e, principalmente, Rússia, a Guiana também já se prepara como pode para uma possível invasão.

Sem meios próprios para enfrentar as Forças Armadas da Venezuela, o presidente da Guiana, Irfann Ali, pediu ajuda a outros países, e dias atrás representantes do Departamento de Defesa dos EUA já se reuniram com ele na capital, Georgetown, e há uma grande possibilidade de os Estados Unidos defenderem o pequeno país sul-americano se for atacado, internacionalizando o conflito de forma muito perigosa.

A disputa entre a Venezuela e a Guiana sobre a riquíssima região de Essequibo não é nova, remonta à época da colonização da América do Sul, e é alvo de batalhas judiciais há pelo menos 200 anos, que os venezuelanos quase sempre têm perdido. A última derrota ocorreu sexta-feira passada, quando a Corte Internacional de Justiça, em Haia, sentenciou que a Venezuela não tem qualquer direito sobre Essequibo e que qualquer acção na tentativa de anexar esse território será um acto ilegal de guerra contra um país soberano.
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