Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

Vigilância bancária caçou terrorista

A luta antiterrorista conduzida pela administração Bush está de novo sob fogo, com a Casa Branca a admitir que agentes da CIA tiveram acesso a milhões de transacções financeiras internacionais efectuadas nos últimos cinco anos. A revelação foi feita por vários jornais norte-americanos, alguns dos quais reconheceram que sofreram pressões da administração para não publicar a informação. Washington defende-se, assegurando que informou todos os bancos centrais das suas actividades, e garante que graças a este (até agora) programa secreto conseguiu chegar a nomes grados do terrorismo internacional, incluindo Hambali, ex-operacional da Jemaah Islamiyah e alegado autor dos atentados de Bali em 2002.
25 de Junho de 2006 às 00:00
Washington garante ter informado o Banco Central Europeu
Washington garante ter informado o Banco Central Europeu FOTO: Heinz Wieseler, Epa
O subsecretário do Tesouro, Stuart Levey, defendeu a existência do programa secreto: “Abriu-nos uma única e poderosa janela para as operações terroristas.” Aquele responsável garantiu que as autoridades fizeram “uso legal e apropriado das prerrogativas do programa”. “Não activámos um aspirador para sugar toda a informação possível, mas fomos atrás de dados e pessoas concretas”, acrescentou Levey.
Como consequência, foram detidas algumas das figuras mais procuradas da al-Qaeda no Sudeste asiático. É o caso de Riduan Isamuddin (mais conhecido por Hambali), antigo líder operacional da Jemaah Islamiyah – com ligações à rede terrorista de bin Laden – responsabilizado pelos atentados de Bali em 2002. O programa decorreu paralelamente às escutas ilegais que a Agência de Segurança Nacional (ASN) mantém desde 2003.
A espionagem foi realizada através da Sociedade para a Telecomunicação Financeira Interbancária Mundial (Swift), com sede na Bélgica. O governo de Bruxelas vai mesmo lançar um inquérito ao programa, apesar de Washington garantir que informou o Banco Central Europeu.
Ver comentários