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Correio da Manhã

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“Vim para matar, estou cansado”

Um homem enlouquecido atacou ontem indiscriminadamente numa zona comercial de Tóquio, matando pelo menos sete pessoas à facada e ferindo outras doze. Identificado como Tomohiro Kato, de 25 anos, o agressor, ao ser detido, disse à polícia: "Vim a Akihabara para matar. Estou cansado do Mundo. Qualquer pessoa servia."

9 de Junho de 2008 às 00:30
Corpos ensanguentados foram recolhidos na rua e nos passeios
Corpos ensanguentados foram recolhidos na rua e nos passeios FOTO: Issei Kato, Reuters

Testemunhas do massacre em Akihabara, bairro conhecido como centro de venda de produtos electrónicos, afirmam que o homicida chegou num camião que utilizou para atropelar pessoas. "Saltou sobre um homem que tinha atropelado e apunhalou-o várias vezes. Depois dirigiu-se para a estação de Akihabara e pelo caminho ia esfaqueando pessoas ao acaso", afirmou um jovem, de 19 anos.

As vítimas mortais são seis homens, com idades entre 19 e 74 anos, e uma rapariga, de 21 anos. Depois de deixar o camião, Tomohiro terá apunhalado pelo menos 18 pessoas, entre elas um polícia.

James Slaymaker, um britânico a residir no Japão, chegou ao local pouco depois do início do massacre. "Vi corpos estendidos por todo o lado, a sangrar. Alguns estavam conscientes, outros não. Estavam estendidos nos passeios e no meio da rua" contou James. "É muito chocante, especialmente porque venho aqui todos os dias", adiantou outra testemunha.

A fúria assassina parou quando um polícia armado com uma carabina fez frente a Tomohiro. Mais tarde, as câmaras da televisão mostraram o jovem de 25 anos, coberto de sangue, a ser levado para um carro da polícia.

Akihabara é um dos bairros mais populares de Tóquio, atraindo milhares de turistas devido à fama das suas lojas de electrónica de entretenimento. É ainda famoso junto dos apreciadores de banda desenhada e filmes de animação japoneses.

Os crimes violentos no Japão são relativamente raros, mas nos últimos anos os homicídios com armas brancas têm crescido de forma assinalável. Em 2001, também a 8 de Junho, um homem com distúrbios mentais entrou numa escola primária em Osaka e matou oito crianças, ferindo ainda mais 15 alunos e professores. Já este ano, em Janeiro, teve lugar um massacre semelhante ao de ontem. Um adolescente de 16 anos saiu à rua com duas facas de cozinha e atacou transeuntes numa rua comercial da zona de Shinagawa, também em Tóquio.

SAIBA MAIS

EM DEFESA DA HONRA

A máfia japonesa, ou ‘yakuza’, existe pelo menos desde o século XIX e seguia originariamente códigos de honra semelhantes aos dos guerreiros samurai. Ainda hoje a organização se encara como defensora dos valores tradicionais.

3300

era o número de grupos da ‘yakuza’, máfia japonesa, nos anos 90. O número de membros da organização era nessa altura estimado em 88 mil.

52%

do total de criminosos detidos no Japão no início da década de noventa eram jovens com menos de 30 anos.

CRIMINALIDADE BAIXA

No início da década de 90, o Japão tinha uma taxa de 1,1 homicídios por cem mil habitantes, bem menos do que a Alemanha, 3,9, ou os EUA, 8,7.

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