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Correio da Manhã

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Violação coletiva e morte de mulher inspiram sessão fotográfica

Um fotógrafo recriou a cena chocante de uma mulher indiana violada por seis homens e espancada até à morte num autocarro em Deli para uma produção de moda.
6 de Agosto de 2014 às 21:20
A violação e a morte de uma mulher de 23 anos às mãos de seis homens inspira a produção do fotógrafo Raj Shetye
A violação e a morte de uma mulher de 23 anos às mãos de seis homens inspira a produção do fotógrafo Raj Shetye FOTO: Raj Shetye

São imagens "chocantes", "horrendas" e "nojentas" que exploram a violação e a morte de uma mulher, dizem os críticos. É arte que obriga as pessoas a repensarem a segurança das mulheres, defende-se o fotógrafo indiano responsável por uma produção de moda que se inspira no chocante, horrendo e nojento caso ocorrido na Índia, em 2012, quando uma mulher de 23 anos foi espancada até à morte, num autocarro, pelos seis homens que antes a tinham violado.

Raj Shetye, natural de Bombaim, é o autor da sessão fotográfica que está a causar polémica na Índia e promete relançar o eterno debate sobre o que pode ou não ser retratado sob a desculpa de ser ‘arte'.

As imagens, que foram publicadas num site de mostra de trabalhos fotográficos e na própria página do autor, mostram uma mulher com roupas glamorosas em poses onde se mostra subjugada e manuseada conforme a vontade de vários homens, também eles com roupas glamorosas, dentro de um autocarro. Apesar de defender o seu trabalho, entretanto Shetye removeu as imagens à medida que as críticas ao seu trabalho iam subindo de tom.

O fotógrafo diz pensar num trabalho deste tipo há algum tempo, desde que se inspirou na sua mãe, irmã e amigas que "se sentem constrangidas pessoal e profissionalmente só para se sentirem seguras", acrescentando que a sua prioridade é chamar a atenção para a insegurança que as mulheres vivem no seu país.

"É infeliz o facto de eu ter que justificar a minha liberdade artística sobre este tema social", refere o fotógrafo indiano num e-mail enviado ao jornal inglês 'Independent'. "Se o que custa para fazer chamar a atenção deste assunto é eu ser o vilão, então que assim seja."

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Intitulada ‘The Wrong Turn', ou ‘O Caminho Errado' numa tradução literal para português, a produção foi criticada por vários nomes sonantes de Bollywood, a indústria cinematográfica indiana.

A atriz Sapna Moti Bhavnani foi uma das que se manifestou nas redes sociais, onde escreveu: "Há arte e depois há porcaria em nome da arte. Esta representação da história de Nirbhaya é...". ‘Nirbhaya' significa ‘aquela que não tem medo' e foi um dos nomes dados à mulher morta no autocarro em 2012, cuja verdadeira identidade nunca foi conhecida.

Também o realizador Vishal Dadlani se juntou ao coro de críticas que inundaram as redes sociais e, através do Twitter, escreveu: "Será que acabei de ver uma forma de moda a representar a violação coletiva de Nirbhaya? Nojento! Espero que todos os envolvidos morram de vergonha! Porcos insensíveis." Terminando com um: "Sejam quem forem... espero que vão para a prisão por isto."

O caso de 2012 não foi episódio único no que diz respeito à violência contra as mulheres na Índia, que, só este ano, já assistiu a casos chocantes que envolveram violações coletivas que culminaram com o enforcamento das vítimas e até a violação de uma menina de quatro anos.

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