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Correio da Manhã

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Violação trama presidente

O procurador-geral de Israel anunciou ontem que recolheu provas suficientes para acusar o presidente Moshe Katsav de assédio, violação, abuso de poder e obstrução à Justiça. Menachem Mazuz salientou, no entanto, que antes de serem formuladas as acusações será dada ao chefe de Estado israelita a última oportunidade para apresentar argumentos legais sobre a sua alegada inocência.
24 de Janeiro de 2007 às 00:00
Num caso sem precedentes, Katsav, de 61 anos, é acusado de ter assediado sexualmente uma das funcionárias do Ministério do Turismo quando era titular da pasta, entre 1998 e 1999, e ainda de ter violado a sua secretária na residência presidencial em Jerusalém.
O presidente israelita goza de imunidade enquanto exercer o cargo, mas pode ser julgado após terminar o seu mandato de sete anos, em Julho. Recorde-se, todavia, que durante o processo os seus advogados fizeram saber que Katsav apresentaria demissão se fosse acusado.
Katsav, casado e pai de cinco filhos, nega vigorosamente todas as acusações, argumentando que se trata de uma campanha contra si. A sua mulher, Gila, com quem está casado desde 1969, tem-no apoiado publicamente.
O escândalo, que emergiu no ano passado após quatro funcionárias o terem acusado de assédio sexual, não deverá ter impacto no governo de Ehud Olmert, a braços com acusações de corrupção.
Moshe Katsav conquistou a presidência de Israel em 2000, apesar de todas as sondagens serem favoráveis ao seu rival, Shimon Peres. Foi a primeira vez que um militante do Likud foi eleito presidente. Durante o seu mandato o país passou por momentos difíceis, com a erupção da nova Intifada e a crise do processo de paz. Sem poder real para interferir na política interna, Katsav tentou defender os interesses israelitas no estrangeiro. Muito contestado internamente foi o aperto de mão que deu, durante o funeral de João Paulo II, ao então presidente Muhammad Khatami, com quem falou em farsi.
PERFIL
Nascido no Irão em 1945, Moshe Katsav foi com os pais para Israel em 1951. É o primeiro presidente israelita nascido num país muçulmano e o primeiro a ser acusado de assédio sexual e violação. Jornalista de profissão, aos 24 anos conseguiu ser eleito presidente da Câmara de Kiryat Malachi e aos 30 anos deputado do Likud. É casado, tem cinco filhos e dois netos.
CASOS DE CORRUPÇÃO NÃO PARAM
A corrupção parece endémica em Israel. Há dez anos, a organização Transparência Internacional colocou o país no 10.º lugar da lista dos mais honestos. Agora, Israel caiu para o 34.º lugar.
As acusações contra Katsav são apenas as últimas a manchar políticos israelitas. Recorde-se que há poucas semanas foi o primeiro-ministro Ehud Olmert a estar na berlinda ao ser acusado de ter exercido influências na venda, em 2005, do Banco estatal Leumi. Por sua vez, no princípio do mês um alto conselheiro de Olmert e outras individualidades menos proeminentes foram detidos para serem interrogados num caso de corrupção.
Mas a corrupção ao mais alto nível não é um fenómeno recente em Israel. Já em 1977, o líder trabalhista Yitzhak Rabin foi obrigado a demitir-se após ter vindo à luz que a sua mulher era titular de uma conta bancária ilegal.
Depois disso, foram investigados, também em casos de corrupção, os antigos chefes de governo Benjamim Netanyahu, Ehud Barak e Ariel Sharon, sem, contudo, terem sido formalmente acusados. Perante tantos escândalos, a classe política em Israel começa a ficar desacreditada.
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