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Correio da Manhã

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Vírus pouco conhecido surge em crianças

Vírus VSR sofreu um aumento inesperado de casos.
15 de Setembro de 2021 às 08:35
Bebé a ser vacinado
Bebé a ser vacinado FOTO: iStockPhoto
O vírus sindical respiratório (VSR), conhecido como um vírus sazonal tipíco do inverno, sofreu um aumento de casos nos últimos meses, no Hemisfério Norte. Crianças e bebés são os mais suscetíveis à infeção, noticiou o BBC News.

Em março deste ano, várias crianças e bebés deram entrada nas urgências com tosse e, em alguns casos, com dificuldades respiratórias. Em causa estava a infeção por VSR, um insento, mais comum no inverno, que pode causar problemas pulmonares.

Ao longo dos meses seguintes os casos de infeção por este vírus, que em anos anteriores tendiam a descer, aumentaram. As infeções tiveram especial impacto no Reino Unido, na Suiça, no Japão e no sul dos Estados Unidos. 

Os especialistas acreditam que o comportamento estranho do vírus parece ser uma consequência indireta da pandemia do novo coronavírus. O motivo assenta na falta de imunidade que as crianças desenvolveram devido às medidas de higienização da Covid-19.

"A nossa unidade de UCI ficou novamente sobrecarregada, e desta vez não foi com Covid-19, mas com outro vírus", comentou Rabia Agha, diretora da divisão pediátrica de doenças infeciosas do Hospital infantil Maimonides, em Nova Iorque, nos EUA. No pico do surto em abril, a maioria das crianças internadas em UCI, estavam infetadas por VSR.

No Hospital infantil da Universidade de Zurique, o chefe do departamento de doenças infeciosas e epidemiologia, Christoph Berger, avançou que os casos atingiram o pico em junho, disparando para as 183 infeções em julho, números mais elevados do que os das temporadas de inverno anteriores. Acrescentou ainda que o seu hospital estava "lotado, todas as camas estavam ocupadas, foi um desafio" e que teve de transferir bebés e crianças infetadas com VSR para outros hospitais.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, a maioria das crianças já esteve infetada com VSR por volta dos dois anos de idade, e que a infeção não é alarmante. No entanto, em alguns casos, pode causar bronquiolite, uma inflamação nas partes inferiores dos pulmões.

Antes da pandemia do novo coronavírus, os hospitais preparavam-se antecipadamente para os surtos de VSR. Os pacientes de maior risco, como bebés prematuros ou com problemas pulmonares e cardíacos, eram protegidos com palivizumabe, uma injeção de anticorpos que auxilia no combate deste vírus. A inoculação com palivizumabe deve ser administrada todos os meses durante o período ativo do vírus, daí ser muito importante a preparação antecipada para estes surtos.

Agha comentou que a nova etiqueta sanitária consequente da pandemia da Covid-19 "realmente ajudou a manter a Covid-19 e outros vírus afastados e que, por isso, uma temporada de VSR foi perdida, e saltar uma temporada implica que as crianças e as mães, que podem passar aos bebés a infeção, não estão a criar os anticorpos necessários".

Com efeito, vários países defendem que esta lacuna de imunidade deixará os bebés particularmente vulneráveis ao VSR quando o "mundo reabrir" e que tornará este vírus potencialmente mais poderoso.
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