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Correio da Manhã

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VÍTIMA DA FÚRIA DE NEONAZIS

Depois de passar oito dias a lutar pela vida numa cama do hospital, o jovem Cleiton da Silva Leite, de apenas 20 anos, lançado há oito dias de um comboio em andamento por três alegados neonazis morreu ontem ao fim da tarde.
16 de Dezembro de 2003 às 00:00
Os grupos neonazis actuam pouco, mas sempre com violência
Os grupos neonazis actuam pouco, mas sempre com violência FOTO: Eduardo Nicolau/afp
Dois dos agressores encontram-se detidos e o terceiro está a monte.
Há uma semana Cleinton e o seu amigo Flávio Cordeiro, viajavam tranquilamente num comboio. Junto a eles, seguiam vários outros jovens e adolescentes que, segundo testemunhas, começaram a implicar com a roupa 'punk' que os dois vestiam semelhantes. Após altercações, os alegados agressores empurraram os dois jovens, lançando-os pela porta do comboio que já se encontrava em movimento, após ter parado na estação Brás Cubas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
Na queda, Cordeiro perdeu o braço direito, mas seu estado de saúde é estável. Leite sofreu traumatismo craniano e perda de massa encefálica. Lutou perla vida durante oito dias mas não resistiu.
Os familiares do rapaz morto decidiram doar seus órgãos. Segundo o médico Wilson Moreira Filho, supervisor da UTI onde ele estava internado, entre 20 e 28 órgãos poderão ser transplantados.
Os alegados agressores , Vinícius Parizzato, 24, e Juliano Aparecido de Freitas,18, estão presos desde quinta-feira. O terceiro implicado, Danilo Gimenez Ramos, 18, está em fuga. Ramos está com a prisão temporária decretada desde a semana passada, ordem que seu advogado, Vitor Monacelli Fachinetti Júnior, 40, pedirá a revogação hoje.
CASOS RAROS MAS VIOLENTOS
Tal como outros grupos radicais no Brasil, os skinheads não existem como organização política estruturada, sendo apenas um amontoado de jovens rebeldes, que pregam a intolerância contra negros, homossexuais, punks e migrantes do norte do país, mas quase sempre falam mais do que agem. Apesar disso, quando o fazem, são manchete pela brutalidade, como no episódio da semana passada. Foi o primeiro caso de monta desde que, há dois anos, um grupo de 18 neonazis espancou até à morte o domador de cães Edson Neris da Silva, por este passear de mãos dadas com outro homem, no centro de São Paulo. Em Brasília, em 1999, skinheads queimaram vivo, regando-o com gasolina quando dormia numa rua em 1999, o índio José Gualdino, e dois anos antes tinham assassinado com requintes de malvadez o filho de 16 anos de uma jornalista, agredindo-o durante horas com golpes que foram fracturando um a um todos os seus ossos.
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