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Correio da Manhã

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Vítimas estão esquecidas

Dois anos após os atentados de Madrid, as três associações de apoio às vítimas acusam as autoridades de “esquecer” os feridos e os familiares dos mortos, continuando por esclarecer muitas dúvidas sobre o 11 de Março de 2004.
10 de Março de 2006 às 00:00
Manjón critica os governos
Manjón critica os governos FOTO: Emilio Naranjo, Epa
Sem que qualquer suspeito tenha sido formalmente acusado pelos atentados – o longo processo de instrução do caso, conduzido pelo juiz Juan Del Olmo, estará pronto apenas em Abril – as vítimas continuam à espera que se faça justiça.
Mas não são grandes as expectativas, segundo os responsáveis das associações, quanto ao sucesso de um eventual julgamento em que deverão ser acusados dezenas de suspeitos dos 186 actualmente referidos pelo processo de instrução.
Daí que Pilar Manjón, presidente da Associação 11-M Afectados pelo Terrorismo, admita frustração com a situação que se vive dois anos após os piores atentados da História de Espanha, que mataram 191 pessoas e deixaram quase dois mil feridos, e acuse muitos líderes políticos nacionais de usarem as vítimas “e a sua dor” como simples “moeda de troca” para ataques e contra-ataques partidários e a Justiça de ser excessivamente morosa. “Ainda não se apurou qualquer responsabilidade e muito menos a política. As vítimas estão a ser esquecidas.” – afirma Manjón.
Criada poucas semanas após os atentados, a organização tem vindo a ampliar o seu mandato, abrindo as portas a pessoas vítimas de outras acções terroristas. Manjón perdeu um filho, Daniel, nos atentados, e hoje dirige não só o programa de apoio às vítimas e familiares, mas igualmente os contactos com os advogados envolvidos no processo cível que decorrerá em paralelo ao criminal.
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