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Correio da Manhã

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Vitória magra de Olmert

Sem surpresas, as projecções à boca das urnas divulgadas ontem à noite pelas principais cadeias de televisão israelitas apontavam para a vitória – embora menos expressiva que o esperado – do Kadima, partido do primeiro-ministro interino Ehud Olmert.
29 de Março de 2006 às 00:00
O futuro governo israelita será, quase de certeza, uma coligação entre o Kadima e o Partido Trabalhista de Amir Peretz, que surgia em segundo lugar nas projecções.
De acordo com as televisões, o Kadima deverá obter 29 lugares, seguido pelos trabalhistas com 22 lugares e pelo partido russófono de direita Israel Beiteinou, com 14. O Likud, do ‘falcão’ Benjamin Netanyahu, não deverá obter mais de 11 lugares, naquela que seria a pior prestação da direita israelita nas últimas décadas. O partido de Netanyahu corria, inclusive, o risco de ser ultrapassado pelo partido ortodoxo sefardita Shas, ao qual as projecções davam igualmente 11 lugares.
A vitória ‘curta’ do Kadim poderá complicar as negociações para a formação da futura coligação. Os trabalhistas continuavam a ser a primeira opção, mas o Israel Beiteinou e o Shas poderão ainda ter uma palavra a dizer. Recorde-se que, para que não restassem dúvidas, Olmert foi bem claro na semana passada, ao afirmar que quem não aceitasse o seu plano de retirada da Cisjordânia “não faria parte da coligação”, o que poderá, de facto, complicar as negociações com os russófonos liderados por Avigdor Lieberman, que estão renitentes em relação ao retirada.
As eleições decorreram sob vigilância apertada, e há registo de pelo menos um ataque com um foguete de tipo ‘Katyusha’, que atingiu uma zona a escassos metros da fronteira, do lado israelita, matando dois pastores beduínos, naquele que foi o primeiro ataque a partir da Faixa de Gaza com este tipo de míssil, usualmente disparado a partir do Líbano. O ataque foi reivindicado pela Jihad Islâmica. Noutro incidente, tropas israelitas abateram a tiro um palestiniano armado durante um raide na aldeia de Yamun, junto a Jenin, na Cisjordânia.
DESMANTELAR A MAIORIA DOS COLONATOS
Num artigo de opinião publicado na edição de ontem do jornal Yediot Aharonot, o primeiro-ministro Ehud Olmert confirmou a sua intenção de avançar com a retirada israelita da Cisjordânia e o desmantelamento de mais de metade dos 121 colonatos actuais. “Não será possível realizar todos os nossos sonhos, mas poderemos conservar os grandes complexos de colonatos da Judeia e Samaria (Cisjordânia), fixando o traçado do muro de segurança de modo a não excluir nenhum”, escreveu o pragmático Olmert, prometendo ainda “estender uma mão aos vizinhos (palestinianos), à procura de um parceiro que dê esperanças de paz”. No entanto, assegurou, “a outra mão continuará a segurar a espada para impedir as agressões contra Israel e os seus cidadãos”. O primeiro-ministro reiterou ainda a sua intenção de avançar unilateralmente para a retirada e definição das fronteiras definitivas do Estado de Israel se não houver possibilidade de acordo com os palestinianos.
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