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VITORINO CHAMADO A DEPOR

O eurocomissário português António Vitorino, responsável pela Justiça e Assuntos Internos da União Europeia, será chamado a testemunhar perante a comissão parlamentar espanhola de investigação do 11 de Março.
16 de Setembro de 2004 às 00:00
A decisão foi tomada ontem numa reunião à porta fechada na qual se determinou ainda a comparência perante a comissão de 13 outras pessoas, entre elas o ex-primeiro-ministro e ex-líder do Partido Popular (PP) José María Aznar.
Contactado pelo Correio da Manhã, o gabinete de Vitorino revelou que, na ausência de uma notificação formal, tomou conhecimento do caso pelos jornais.
A este respeito, o gabinete de Imprensa do Parlamento espanhol declarou ao CM que as notificações só começarão a ser enviadas depois de uma nova reunião da comissão, agendada para 5 de Outubro, na qual será estabelecida a data de comparência de cada uma das testemunhas. A mesma fonte considerou ainda que, uma vez que Vitorino será apenas o 14.º a depor, não há motivo para uma notificação formal demasiado antecipada.
Sobre o porquê da presença do comissário português, Lourdes Camino, responsável de Imprensa do grupo parlamentar socialista, afirmou ao CM que de Vitorino se espera um “esclarecimento do trabalho realizado pela Comissão Europeia no âmbito da luta contra o terrorismo”, pois, além de apurar o que falhou antes dos atentados, um dos grandes objectivos da comissão é “elaborar uma lista de recomendações” para o futuro.
Recorde-se que sobre este tema, Vitorino defendeu, no início de Junho, a necessidade de serem melhorados os mecanismos de troca de informações e potenciado o papel da ‘Eurojust’ – rede de coordenação dos magistrados encarregados de investigações criminais – como centro de coordenação da luta antiterrorista.
Vitorino sublinhou, no entanto, que todas as melhorias a incluir, por exemplo nos sistemas de registo de passageiros em circulação pela Europa, devem sempre salvaguardar a protecção dos dados pessoais.
Quanto à convocação de Aznar, transforma-o no primeiro ex-líder de governo espanhol a ser chamado ante uma comissão de inquérito. O porta-voz do PP, Eduardo Zaplana, protestou com veemência contra a convocação de Aznar, denunciando um alegado “escândalo” nos acordos que levaram à decisão.
A isto respondeu o socialista Álvaro Cuesta salientando que, por mais dolorosa que seja, a presença de Aznar é indispensável, pois “é necessário que compareça quem era líder de governo num momento em que morreram 192 pessoas”.
GUARDA VENDEU ARMAS ATERRORISTAS
O informador marroquino Rafá Zouhier garantiu ao jornal espanhol ‘El Mundo’ que alertou repetidamente as autoridades sobre a cumplicidade de um agente da Polícia no tráfico de armas para os terroristas. Os autores do 11 de Março foram, afirma, fornecidos por um agente que identificou apenas como Pedro.
O primeiro alerta de Zouhier teve lugar em Dezembro de 2003, três meses antes da tragédia, e o informador referia o marroquino Lofti como um dos compradores das armas vendidas pelo polícia. Este suspeito tinha como sócio no tráfico de droga Jamal Ahmidan, conhecido como ‘o Chinês’, um dos terroristas que se suicidou no bairro de Leganés durante o cerco policial para a sua captura.
O primeiro a ser informado de tudo terá sido o alferes Víctor, membro da Unidade Central Operativa (UCO), da Guardia Civil, que era o contacto directo de Zouhier.
Depois do massacre que vitimou 192 pessoas na estação madrilena de Atocha, Víctor telefonou a Zouhier para recolher informações sobre os implicados. Convém dizer, no entanto, que o informador tinha já dado, antes do atentado, os nomes de José Emilio Trashorras e do seu cunhado, Antonio Toro Castro, revelando que ambos estavam ligados ao comércio clandestino de explosivos. Nesse telefonema, datado de 17 de Março e transcrito num dos autos da investigação da tragédia, fala-se, entre outras coisas, do ‘Chinês’ e do arsenal que tinha escondido em casa. Pedro é igualmente referido no telefonema, que até agora valeu apenas a detenção de Zouhier, o portador da preciosa informação.
POLÍCIA CATALÃ ENCONTRA LIVROS DE BIN LADEN
A Polícia espanhola encontrou passaportes e bilhetes de identidade falsos, gravações de vídeo, exemplares do Corão e livros relacionados com o líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, em dois apartamentos na capital da Catalunha, Barcelona, onde foram detidos dez indivíduos.
A operação policial inicou-se na madrugada de ontem, com a Polícia autónoma catalã a entrar em dois apartamentos nos bairros de Raval e Trinitat, no centro de Barcelona. Ali foram detidas pelo menos dez pessoas “suspeitas de integrarem um grupo organizado de delinquentes” que estariam a colaborar com um grupo extremista estrangeiro. Fontes policiais as-seguram que não foram encontradas armas nos apartamentos, mas apenas vídeos e livros relacionados com temas religiosos islãmicos, bin Laden e a al-Qaeda.
Quase todos os detidos são de origem paquistanesa e, ainda segundo fontes policiais, poderiam estar a ‘ajudar’ grupos extremistas pouco activos no estrangeiro. Refira-se que durante as rusgas não foram encontradas quaisquer armas.
Fontes próximas da Polícia catalã adiantaram ainda que a investigação vai continuar para tentar apurar o nível de colaboração dos detidos com grupos radicais.
Novas bombas da ETA
A ETA fez explodir ontem de madrugada vários engenhos de fraca potência colocados em torres de alta tensão da Rede Eléctrica de Espanha na região de Irún.
As explosões não causaram vítimas nem causaram a interrupção do fornecimento de energia eléctrica. Segundo as autoridades, o tipo de explosivos utilizados foi idêntico aos usados pelos etarras nos últimos ataques na costa da cantábria e na Galiza.
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