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"Voltaremos a fazê-lo, pois um referendo não é delito", diz Presidente do Governo catalão

Quim Torra reiterou que a luta pela independência da Catalunha não será travada pelos tribunais espanhóis.
Francisco J. Gonçalves 16 de Outubro de 2019 às 01:30
Torra fez uma reunião de emergência do governo autónomo da Catalunha para decidir qual será a resposta institucional à condenação dos líderes separatistas
Junqueras reiterou desafio
Puigdemont está exilado e volta  a ser alvo de mandado de detenção
Vídeo captou o momento da polémica atuação de agentes da polícia
Torra fez uma reunião de emergência do governo autónomo da Catalunha para decidir qual será a resposta institucional à condenação dos líderes separatistas
Junqueras reiterou desafio
Puigdemont está exilado e volta  a ser alvo de mandado de detenção
Vídeo captou o momento da polémica atuação de agentes da polícia
Torra fez uma reunião de emergência do governo autónomo da Catalunha para decidir qual será a resposta institucional à condenação dos líderes separatistas
Junqueras reiterou desafio
Puigdemont está exilado e volta  a ser alvo de mandado de detenção
Vídeo captou o momento da polémica atuação de agentes da polícia
O governo autónomo da Catalunha respondeu esta terça-feira, em tom de desafio, à sentença anunciada no dia anterior pelo Supremo Tribunal espanhol, que condenou a penas de prisão entre 9 e 13 anos de cadeia os nove líderes separatistas catalães julgados por delitos de sedição.

"Voltaremos a fazê-lo. Nunca desistiremos do exercício do direito à autodeterminação", afirmou Quim Torra, presidente do governo catalão, na homenagem ao antecessor no cargo, Lluís Companys, fuzilado pelas forças franquistas há 79 anos, após a guerra civil espanhola.

Durante a cerimónia, realizada anualmente no aniversário da morte de Companys, Torra usou a memória do herói da luta pela independência para denunciar o que considera medidas repressivas de Espanha. "Não querem que voltemos a fazê-lo, mas vamos repetir, porque fazer um referendo não é delito", garantiu Torra.

Ao fim da tarde, o tom foi bem mais ponderado. Após reunião extraordinária do governo autónomo catalão, foi decidido pedir formalmente "uma amnistia" para os separatistas. Torra anunciou ainda que serão enviadas cartas a todos os presidentes e chefes de governo dos países da União Europeia e dos países do G20, "para explicar a sentença e a posição do governo catalão" sobre a mesma.

Este tom mais ponderado e institucional mereceu críticas do partido separatista de esquerda CUP, que exigiu uma atitude mais clara "de condenação da atitude repressiva do Estado espanhol".

A insatisfação da CUP foi acentuada pelo facto de na convocatória para o plenário de amanhã do Parlament (parlamento catalão) não estar prevista a votação de uma resolução que condene e rejeite a sentença do Supremo Tribunal e reafirme o direito da Catalunha à autodeterminação.

Para apaziguar as discórdias, o governo catalão anunciou que tudo será feito para que a decisão do parlamento "seja um mandato efetivo", mas para que tal seja possível é preciso reformular o plenário.

Junqueras diz que haverá novo referendo
"Os ideais não podem ser calados por sentenças", afirmou esta terça-feira o antigo vice-presidente catalão Oriol Junqueras. Na primeira entrevista depois de ser condenado a 13 anos de cadeia por sedição no âmbito da luta separatista na Catalunha, garantiu ainda à agência Reuters que "um novo referendo é inevitável", uma vez que essa é a única forma de dar voz aos cidadãos.

Polícia procura organizadores
O governo espanhol anunciou que a polícia procura determinar quem está por detrás da nova organização catalã Tsunami Democràtic. Terá sido criada em setembro, em Genebra, e organizou agora os protestos que na segunda-feira bloquearam o aeroporto El Prat, de Barcelona.

Novos protestos em Barcelona e Girona
Milhares de manifestantes bloquearam esta terça-feira as delegações do governo espanhol em Barcelona e Girona e foram repelidos pela polícia.

Sánchez criticado por não ir à Catalunha
Iñigo Errejón, líder do partido Más País, criticou o PM espanhol Pedro Sánchez por não ter ido á Catalunha após a sentença do Supremo.

Justiça belga pede tradução para deter Puigdemont
A Justiça belga recebeu esta terça-feira o mandado internacional de detenção do ex-presidente catalão Carles Puigdemont, exilado em Bruxelas, mas disse não poder começar a examinar o caso por ter recebido a documentação em castelhano. Pede, por isso, como exigem as regras europeias, uma tradução para francês, holandês ou alemão, algo que Espanha só poderá fazer na próxima semana.

Polícia investigada por ‘arrastão’
Vai ser investigada a atuação de polícias catalães que empurraram manifestantes com um veículo de controlo de distúrbios e arrancaram com duas pessoas penduradas no pára-choques dianteiro da viatura.

SAIBA MAIS
1922
Ano da criação do Estat Catalá, o primeiro partido pró-independência da Catalunha. Fundado por Francesc Macià, foi forçado a agir a partir do exílio em França, devido à ditadura de Primo de Rivera (1923-1930).

Apoio à Constituição
Após a implantação da democracia em Espanha, em 1975, foi votada em 1978 a Constituição espanhola. Aprovada em referendo por 88%, no conjunto da Espanha. Na Catalunha a aprovação foi de 90%.

Estatuto de Autonomia
Em 1979 foi referendado o Estatuto de Autonomia da Catalunha, que seria aprovado por uma maioria esmagadora de 88%, o que teve a consequência de diluir a base de apoio aos partidos separatistas.

Defesa da língua catalã
A defesa da língua catalã, reprimida sob o franquismo, deu novo impulso ao separatismo na década de 1980, servindo de impulso a um movimento que culminou no referendo de 2017.
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