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Correio da Manhã

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Voluntária que esteve sequestrada 18 meses no Quénia regressa a Itália convertida ao Islão

Silvia foi encontrada na Somália, a cerca de 30 quilómetros da capital Mogadishu.
10 de Maio de 2020 às 20:57
Silvia Romano
Silvia Romano
Silvia Romano com a família
Silvia Romano
Silvia Romano
Silvia Romano com a família
Silvia Romano
Silvia Romano
Silvia Romano com a família
Silvia Romano, a italiana que travalhava como voluntária numa instituição de caridade chamada Africa Milele, que foi encontrada após 18 meses sequestrada no Quénia regressou a Itália. 

"Estou bem, agora só quero ficar com minha família por um longo tempo", estas foram as primeiras palavras ditas por Silvia Romano na chegada ao país onde nasceu, mas surpreendeu por estar diferente. Silvia apresentou-se vestida de jilbab, um vestido tradicional usado por mulheres no Quénia e na Somália, com a cabeça coberta, luvas nas mãos e máscara no rosto que baixou apenas para os cumprimentos.

A italiana desceu da escada do avião, cumprimentou o primeiro-ministro e o ministro Di Maio com o cotovelo, - em conformidade com os regulamentos anti-Covid-19 -, e depois reuniu-se com o pai Enzo, a mãe Francesca e a irmã novamente. A voluntária afirma que durante o sequestro foi sempre bem tratada e acabou por se converter ao Islão. 
A história do cativeiro e a conversão ao Islão
Silvia afirma que mudava de local a cada três meses, nunca foi amarrada nem nunca viu a cara dos seus raptores. A voluntária era frequentemente mudada para lugares habitados e colocada em quartos sozinha, nunca chegou a conhecer outras mulheres.

A italiana foi sequestrada do orfanato de Chakama, no Quénia, a 20 de novembro de 2018 por um grupo armado de oito pessoas. Posteriormente foi vendida a terroristas da Somália onde chegou após quatro semanas de viagem de mota, muitas vezes a pé e por outros meios, esclareceu Silvia às autoridades. 

Quanto à mudança de religião, a mulher afirma que aconteceu durante o cativeiro. "Pedi para ler o Alcorão e fiquei satisfeita", disse esclarecendo que a decisão nada teve a ver com as condições a que foi sujeita. "Ninguém me forçou. E não é verdade que fui forçada a casar, não tive restrições físicas ou violência", garantiu. 

O cativeiro foi passado em quartos fechados, onde Silvia diz que nunca se sentiu "presa" porque estava livre para se mudar lá dentro, desde que fosse dentro das aldeias. "Nos últimos meses, recebi um Alcorão e, graças aos meus sequestradores, também aprendi um pouco de árabe. Eles me explicaram as suas razões e a sua cultura. O meu processo de conversão foi lento", explicou ainda. 

Silvia foi encontrada na Somália, a cerca de 30 quilómetros da capital Mogadishu, e foi libertada graças aos esforços da agência de inteligência externa, disse o ministro das Relações Externas de Itália, Luigi Di Maio.
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