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Von der Leyen quer um "novo começo" com EUA e Reino Unido

Europa pode "não concordar sempre com a Casa Branca", disse a presidente da Comissão Europeia.
Lusa 16 de Setembro de 2020 às 10:09
Ursula Von Der Leyen
Ursula Von Der Leyen FOTO: Reuters
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu esta quarta-feira serem necessários "novos começos com velhos amigos", de ambos os lados do Atlântico e do Canal da Mancha, referindo-se às atuais relações com Washington e Londres.

Durante o seu discurso sobre o Estado da União, perante o Parlamento Europeu, em Bruxelas, a presidente da Comissão, referindo-se à relação com os Estados Unidos, disse que a Europa pode "não concordar sempre com a Casa Branca", mas irá sempre "acarinhar esta relação transatlântica entre dois parceiros que partilham valores e ideais comuns.

Antes, durante a sua intervenção, já deixara uma crítica velada à atual administração norte-americana, ao orgulhar-se de, durante a crise da covid-19, a UE nunca ter adotado uma postura de "Europe first" ('Europa em primeiro lugar'), à imagem do lema do Presidente norte-americano, Donald Trump, de "America First".

Relativamente ao Reino Unido, e tendo como pano de fundo a atual tensão em torno da concretização do 'Brexit', face à 'ameaça' de Londres de desrespeitar o Acordo de Saída celebrado com a UE, a presidente do executivo comunitário exortou o Governo de Boris Johnson a não desrespeitar o compromisso, e citou a antiga primeira-ministra Margaret Thatcher.

"Passo a citar: 'o Reino Unido não viola Tratados. Seria mau para o Reino Unido, seria mau para as relações com o resto do mundo, e seria mau para qualquer futuro acordo comercial'. Fim de citação", afirmou Von der Leyen, acrescentando que "isso era verdade então e é verdade hoje", pois "a confiança é a fundação de qualquer parceria forte".

Ainda relativamente aos Estados Unidos, e sem nunca mencionar a administração norte-americana, a líder do executivo comunitário defendeu "mudanças por defeito" e reformas nas organizações mundiais do Comércio (OMC) e de Saúde (OMS) sem que prevejam a "destruição do sistema internacional".

Num discurso de mais de uma hora, Ursula von der Leyen abordou também a ligação da UE à China, classificando este país asiático como "um parceiro de negociação, um concorrente económico e um rival sistémico".

E destacou também que existem "interesses comuns", em matérias como alterações climáticas e comércio.

Ainda assim, condenou os "abusos dos direitos humanos em Hong Kong e contra a comunidade uigur" na China.

"Em Hong Kong, Moscovo ou Minsk, a Europa tem uma posição clara e firme", assegurou.

Falando sobre a crise política e social na Bielorrússia, Ursula von der Leyen assegurou que "a UE está ao lado do povo bielorrusso", destacando a "enorme coragem dos manifestantes".

Já sobre a Rússia, considerou que o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny "não foi um acontecimento pontual", criticando sem nomear que, na Rússia, "o padrão não está a mudar e não se preveem mudanças".

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