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Correio da Manhã

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VOTAÇÃO RENHIDA

No meio de uma profunda crise política, social e económica que lançou 17 por cento dos argentinos no desemprego e 57 por cento a viver abaixo do limiar da pobreza, o país vota hoje para eleger o presidente da República, numa votação em que, segundo as sondagens, não há ‘vencedor antecipado’.
27 de Abril de 2003 às 00:00
De facto, pela primeira vez na conturbada história daquela que já foi a ‘grande’ nação da América do Sul, o presidente só deverá ser eleito à segunda volta das eleições que terão lugar a 18 de Maio próximo. Isto porque dos 19 candidatos que hoje se apresentam ao escrutínio, em que participam 25,4 milhões de argentinos, nenhum parece reunir os dois requisitos estabelecidos pela Constituição para consagrar--se vencedor à primeira volta.
Para a vitória, um dos candidatos teria de obter 45 por cento dos votos ou 40 por cento e superar, em dez por cento, o segundo candidato mais votado. Contudo, segundo prevêem as nove mais importantes agências de sondagens do país, estas duas metas não serão atingidas. Os consultores apontam que é mesmo impossível determinar quem serão os dois candidatos que irão disputar a segunda volta, segundo noticiava ontem, o jornal argentino “Página 12”.
"Por volta da meia-noite (04h00 em Lisboa), teremos um resultado preliminar", avançou o actual chefe de Estado, Eduardo Duhalde, que assumiu o cargo interinamente em Janeiro do ano passado.
Duhalde acrescentou não haver um motivo para se preocupar com a possibilidade de distúrbios, uma vez que mais de 80 mil polícias estavam de prevenção. Recorde-se que no início do ano, a Justiça Eleitoral suspendeu as eleições para governador de Catamarca devido aos actos de violência que impediram a votação. Em Dezembro de 2001, 30 pessoas morreram aquando dos protestos na Praça de Maio, que levaram o presidente Fernando de la Rúa a demitir-se.
O REGRESSO DO PERONISTA MENEM
Carlos Menem encerrou a campanha para as eleições presidenciais com a promessa de, pela terceira vez, ser eleito presidente da Argentina. As sondagens apresentam-no como candidato favorito. Presidente entre 1989 e 1999, manteve nos seus dois mandatos o denominado Plano de Convertibilidade, que assegurou a estabilidade monetária e o domínio da inflação, mas que teve o reflexo de subir o desemprego e o individamento externo. Com 72 anos, o membro do Partido Justicialista (Peronista) promete retirar a Argentina do caos, como o fizera em 1989. Depois do atribulado divórcio em 1990, casou em 2001, com a ex-Miss Universo, a chilena Cecília Bolocco, de quem espera um filho. Em Junho, pouco depois do casamento, Menem foi detido perante a acusação de envolvimento na venda ilegal de armas. Libertado cinco meses depois, Menem anunciou a sua candidatura presidencial.
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