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Correio da Manhã

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Washington e Paris acordam trégua

Um acordo de cessar-fogo no Líbano pode estar por dias. Essa é a esperança ontem suscitada pelo facto de França e EUA terem finalmente ultrapassado divergências e acordado avançar um projecto de resolução que deverá ser votado amanhã ou terça-feira no Conselho de Segurança. Mas no terreno os combates continuaram.
6 de Agosto de 2006 às 00:00
Comandos israelitas atacaram Tiro enquanto os raides aéreos prosseguiram, naquele que as autoridades libanesas consideraram o pior dia de toda a guerra.
O acordo Washington-Paris foi saudado pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, como “um primeiro passo vital” e um “importante progresso” nas tentativas de encontrar uma solução para o conflito entre Israel e os radicais do Hezbollah, que já vitimou 734 libaneses e 78 israelitas.
“Ainda há muito a fazer, mas não há qualquer razão para a resolução não ser aprovada agora e as hostilidades cessarem nos próximos dias”, afirmou Blair.
Reagindo à notícia, o ministro do Turismo israelita, Isaac Herzog, do gabinete de segurança judaico, confessou que “é preciso perceber que o tempo escasseia” e que Israel “terá de aceitar e agir de acordo” com os termos do acordo que venha a ser firmado na ONU. Mas nos próximos dias “há tempo para muitas acções militares”, frisou.
Apesar das evoluções positivas, refira-se que a resolução em estudo não fixa data para o fim das hostilidades e que está prevista uma segunda resolução, a votar uma ou duas semanas após a primeira, estabelecendo condições para um cessar-fogo definitivo e autorizando uma força de paz para o Sul do Líbano. Além disso, Israel ainda não negou a promessa de só baixar os braços depois de o Hezbollah entregar os dois soldados israelitas raptados.
Para já, o estado hebraico intensifica a ofensiva, tendo ontem utilizado mais de 4000 mísseis em 250 raides aéreos no Líbano. Em Beirute, as bombas caíram sem interrupção entre as 04h00 e as 11h00 da manhã. No Sul do país, os combates foram especialmente encarniçados em Tiro, de onde alegadamente partiram no dia anterior os rockets que atingiram a cidade israelita de Hadera, 80 km a sul da fronteira. Israel afirma ter morto sete guerrilheiros, mas o Hezbollah nega e diz ter abatido um israelita e ferido quase uma dezena de outros.
'SÃO COMO IRANIANOS'
O general Udi Adam, responsável pela intervenção militar israelita no Líbano, considerou que as suas tropas estão a avançar ao ritmo esperado, esclarecendo que o Exército está a lutar, na prática, “contra uma divisão iraniana”. “No conceito, no treino e no armamento, estamos a lutar contra uma divisão iraniana”, afirmou Adam, referindo-se ao Hezbollah. De acordo com o general, Israel sabia que, “nas primeiras semanas, teria de furar a muito rija linha avançada do Hezbollah, pois o inimigo preparou-se durante seis anos para este dia”. Segundo aquele general israelita, a guerra no Líbano vai durar ainda mais algumas semanas.
OUTROS DESENVOLVIMENTOS
OLMERT
O primeiro-ministro israelita Ehud Olmert admitiu que Israel pode eliminar o líder doHezbollah, Hassan Nasrallah, uma vez que não se trata de um chefe de Estado.
GAZA
Pelo menos cinco palestinianos, incluindo um militante do Hamas e outro da Jihad Islâmica, foram ontem mortos em ataques aéreos israelitas na Faixa de Gaza.
VOLUNTÁRIOS
Duzentos jovens muçulmanos indonésios voluntariaram-se para cometer actos terroristas, incluindo ataques suicidas contra interesses israelitas no Mundo.
TURQUIA
O actual conflito no Líbano reforça a importância da adesão da Turquia à UE, onde poderá servir como ‘ponte’ entre a Europa e o Médio Oriente, afirmou o comissário Olli Rehn.
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