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Washington suspende negociações com Moscovo sobre cessar-fogo

Casa Branca defendeu, horas depois, a sua decisão de suspender as negociações, acusando Moscovo de tentar bombardear civis "até à submissão".
3 de Outubro de 2016 às 19:45
Josh Earnest, porta-voz do executivo norte-americano
Josh Earnest, porta-voz do executivo norte-americano FOTO: Reuters
Os Estados Unidos anunciaram esta segunda-feira a interrupção das negociações com a Rússia sobre um cessar-fogo na Síria, após o fim da trégua consagrada no acordo russo-norte-americano de 09 de setembro, indicou o departamento de Estado.

A Casa Branca defendeu, horas depois, a sua decisão de suspender as negociações, acusando Moscovo de tentar bombardear civis "até à submissão".

"A paciência de todos com a Rússia esgotou-se, já não há mais nada de que os Estados Unidos e a Rússia possam falar" sobre a Síria, disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, classificando isso como "trágico".

A Rússia "não conseguiu respeitar os seus próprios compromissos", nomeadamente humanitários, e foi "incapaz de garantir" que o regime sírio cessasse os bombardeamentos, como acordado a 09 de setembro, explicou o porta-voz do departamento de Estado norte-americano, John Kirby, em comunicado.

"Pelo contrário, a Rússia e o regime sírio escolheram prosseguir uma via militar", frisou o representante da diplomacia norte-americana, acrescentando que "não se tratou de uma decisão tomada de ânimo leve".

O secretário de Estado, John Kerry, alimentava há meses a esperança de trabalhar com a Rússia para encontrar uma solução para a guerra na Síria.

Os Estados Unidos indicaram também que desistem de ter um centro de coordenação militar conjunto com a Rússia para combater os grupos 'jihadistas', uma medida que também estava prevista no acordo russo-norte-americano firmado em setembro.

Em consequência, "vão retirar o seu contingente que tinha sido destacado com vista à eventual criação" desse centro, segundo o departamento de Estado.

O Pentágono precisou hoje, contudo, que os contactos entre os dois países vão, apesar de tudo, continuar em matéria de "distensão", ou seja, para evitar um incidente entre os respetivos contingentes aéreos.

A Rússia e os Estados Unidos acusam-se mutuamente de serem responsáveis pelo fracasso da trégua, depois de os ataques aéreos russos e sírios sobre a parte rebelde de Alepo terem sido retomados em força há 11 dias.

Tais 'raids' destruíram hoje totalmente o maior hospital daquele setor rebelde.
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