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Correio da Manhã

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Xanana ameaça decretar estado de sítio

A violência regressou à capital timorense pela segunda noite consecutiva. Algumas ruas foram bloqueadas, com inúmeros carros queimados e casas destruídas em vários bairos de Díli. O presidente Xanana Gusmão alerta para a possibilidade de instaurar "estado de sítio" no país, caso as "medidas normais não sejam suficientes para aliviar a pressão criminal actualmente existente".
5 de Março de 2007 às 09:18
Numa declaração ao país, Xanana Gusmão, que anuncia hoje à tarde medidas excepcionais de segurança, considerou que "se assiste a uma certa anarquia e a uma falta de vontade de certos segmentos da sociedade em contribuir para a estabilização do território". "Não se pode permitir que se continue a perder bens e vidas e que os cidadãos continuem a viver num clima de insegurança", defendeu.
O major rebelde Alfredo Reinador, o ex-comandante da Polícia Militar timorense em fuga às autoridades desde 30 de Agosto, depois de ter escapado da prisão de Becora, onde se encontrava há um mês detido por posse de material de guerra, conseguiu escapar ao ataque lançado ontem pelas forças militares australianas contra o seu esconderijo em Same, no Sul de Timor-Leste.
SITUAÇÃO "SOB CONTROLO" DIZ AMADO
Antes de saber da intenção do presidente timorente, o ministro português dos Negócios Estrangeiros disse em Bruxelas, à chegada a uma reunião dos chefes da diplomacia da União Europeia, que a situação no país está "sob controlo". Luís Amado adiantou, contudo, que tenciona falar com o seu homólogo australiano para avaliar "as condições de desenvolvimento de toda a crise e da possibilidade hipótese de uma "intervenção conjunta".
O ministro afastou por enquanto qualquer reforço do contingente da GNR relembrando que "todo o processo decorre sob a égide das Nações Unidas,, e só actuarão em conformidade com os prazos e os calendários definidos pela organização.
A representação diplomática de Portugal em Díli está a acompanhar a situação e aconselhou os cidadãos portugueses a permanecerem nas suas casas devido à instabilidade naquele território.
AUSTRÁLIA MANTÉM NÍVEL MÁXIMO DE ALERTA
As tropas australianas, que mantêm o nível máximo de alerta, actualizaram as suas medidas de segurança, autorizando pessoal não essencial a abandonar Timor-Leste. "Informaçães credíveis indicam que os australianos podem ser atacados nos locais habitualmente frequentados por estrangeiros, incluindo hotéis, bares e restaurantes, avisa o governo.
Em declarações aos jornalistas em Jacarta, Alexander Downer, ministro dos Negócios Estrangeiros, salientou que o líder rebelde Alfredo Reinado, "deve ser capturado vivo": "Penso que mais tarde ou mais cedo o major Reinado será capturado, mesmo que não se renda. Não deve ser morto, mas sim capturado, vivo, sobretudo agora, que deve estar separado do seu grupo."
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