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Correio da Manhã

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XANANA MAGOADO

Timor comemora, depois de amanhã, o primeiro aniversário da independência, cujas celebrações começaram a decorrer já na passada semana. Um ano depois dos timorenses terem assumido o controlo do país, o presidente da República, Xanana Gusmão, sublinhou, numa entrevista à Agência Lusa, a necessidade de mais consciência e responsabilidade entre o povo, revelando a sua ‘mágoa’ pelas críticas que os timorenses têm feito à sua administração.
18 de Maio de 2003 às 00:03
O presidente Xanana Gusmão quer uma nova tomada de consciência num país que já comemora o primeiro aniversário da independência
O presidente Xanana Gusmão quer uma nova tomada de consciência num país que já comemora o primeiro aniversário da independência FOTO: Direitos Reservados
"O nosso povo está a viver mal, dizem que no tempo indonésio era melhor. E isto dói. Dói quando me perguntam: Ó presidente, mas que raio de independência é esta?", afirmou Xanana Gusmão, que assumiu a presidência também há um ano.
"Estamos independentes, somos membros da ONU, somos membros disto e daquilo, e como é que se sobrevive?", questionou ainda.
Num país onde a "mentalidade indonésia" ainda se sente, "na disciplina, na corrupção e na dependência do Estado", o presidente da República considerou inaceitável não contribuir para "uma nova tomada de consciência".
"Ficar aqui só para dizer que está tudo bem não vale a pena, seria melhor demitir-me", afirmou Xanana, admitindo, no entanto, que o governo "está entre a espada e a parede", pois tem de gerir as pressões internas e a necessidade constante "de provar à comunidade internacional que é capaz de cobrar" receitas.
Apesar de enaltecer o apoio que tem vindo a ser dado a Timor- Leste, o presidente timorense pede que a comunidade de doadores – agora identificados como “parceiros de desenvolvimento”– tente perceber as necessidades do país.
Xanana falou ainda da necessidade de mudanças a nível do Estado timorense e que devem incluir a descentralização da administração pública.
"Existe ainda uma excessiva dependência do Estado. Uma situação em que todos clamam direitos sem pensarem também nas obrigações. É isto que quero contribuir para corrigir", concluiu.
MNE DEFENDE ONU
O ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, José Ramos-Horta, defendeu ontem um alargamento da presença ONU em Timor-Leste até ao ano 2006. Com uma missão de características diferentes da actual, mas com as componentes civil, militar e policial, Ramos-Horta defendeu "uma nova configuração da ONU, com quase o mesmo número de conselheiros (300)". O chefe da diplomacia timorense adiantou que o alargamento é necessário porque, um ano depois do início da missão das Nações Unidas, a maioria dos 300 postos de conselheiros técnicos continua por preencher.
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