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XIMENES BELO CRITICA GOVERNANTES

O bispo de Díli, D. Carlos Ximenes Belo, que se encontra de visita ao nosso país, acusa os governantes timorenses de viajarem muito e de contactarem pouco com os problemas que a população enfrenta no seu dia-a-dia.
20 de Outubro de 2002 às 14:46
XIMENES BELO CRITICA GOVERNANTES
Numa entrevista concedida à Rádio Renascença, o Prémio Nobel da Paz assinala que os governantes timorenses “voam de um país para o outro à procura de ajuda internacional, mas a realidade é que a população espera que os problemas de cada dia sejam resolvidos”.

D. Ximenes Belo afirma que é ele, enquanto bispo, que percorre as aldeia e ouve as queixas das populações. “Pergunto se estão contentes e geralmente oiço muitas queixas, muitas lamentações”, referiu.

Seis meses após a independência de Timor-Leste, o bispo de Díli sublinha que as pessoas que vivem no interior do país, mais isoladas, se queixam de abandono por parte dos governantes, que não as visitam.

Entre as queixas das populações, D. Ximenes Belo realça o mau estado das estradas, a falta de transportes, a necessidade de materiais para as escolas poderem funcionar e o número reduzido de enfermeiros nos dispensários e clínicas da ilha.

A falta de circulação de dinheiro em algumas aldeias, a dificuldade para escoar a produção de café e o preço baixo a que é vendido, a falta de água nos campos de arroz e a falta de poder de compra são outras das principais preocupações dos timorenses.

Para D. Ximenes Belo, ser político não é aparecer apenas nos jornais e na televisão. “É preciso estar no meio do povo, resolver os problemas das pessoas, que precisam das coisas mais básicas, como vestir, comer, ter remédios, escolas e melhorar a Agricultura”.

Nesse sentido, o Prémio Nobel da Paz, defende que os timorenses precisam de políticos mais dedicados, que visitem mais as populações e as oiçam, no sentido de tentar resolver os seus problemas mais prementes.
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