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Yatseniuk é o novo primeiro-ministro ucraniano

O parlamento ucraniano designou por unanimidade o pró-europeu Arseni Yatseniuk como primeiro-ministro do Governo de transição. No dia em que Viktor Yanukovich afirmou que ainda é o Presidente da Ucrânia e a Rússia lhe concedeu garantias de segurança.  
27 de Fevereiro de 2014 às 15:06
Viktor Yanukovytch, o novo primeiro-ministro ucraniano
Viktor Yanukovytch, o novo primeiro-ministro ucraniano FOTO:  Reuters

Aos 39 anos, Arseni Yatseniuk vai liderar um governo de unidade nacional que assumirá as rédeas do país, antes das eleições presidenciais antecipadas agendadas para 25 de maio, depois de o Parlamento ter destituído no sábado o Presidente Viktor Yanukovich.

No seu discurso, Arseni Yatseniuk fez questão de não esconder a magnitude da tarefa governativa, uma vez que a Ucrânia está à beira da falência.

O político evocou a necessidade de um "governo de 'kamikazes'", por causa das medidas impopulares que terão de ser aplicadas.

"As contas públicas estão vazias, tudo foi roubado. Não prometo melhoramentos, nem hoje nem amanhã. O nosso principal objetivo é estabilizar a situação. A dívida pública é atualmente de 75 mil milhões de dólares. Em 2010, quando Yanoukovitch chegou ao poder, a dívida era duas vezes inferior", explicou Yatseniuk, aos deputados.

"O desemprego está a um ritmo galopante, bem como a fuga de investimentos. Não temos alternativa senão tomar medidas impopulares, incluindo a redução dos programas sociais e dos subsídios, cortes orçamentais", acrescentou.

Arseni Yatseniuk também referiu a situação na Crimeia, no sul da Ucrânia, onde dezenas de homens armados tomaram hoje o controlo do Parlamento e da sede do Governo, hasteando nos dois locais bandeiras russas.

"A integridade territorial está ameaçada, vemos manifestações de separatismo na Crimeia. Digo aos russos que não nos confrontem, somos amigos e parceiros", declarou o novo primeiro-ministro.

A Crimeia era considerada pela União Soviética como parte da Rússia, mas foi anexada à Ucrânia em 1954 e continua a albergar a frota naval russa do Mar Negro na cidade portuária de Sebastopol.

"A Ucrânia vê o seu futuro na Europa como membro da União Europeia (UE)", disse ainda Iatseniuk, indicando ainda que não será candidato às presidenciais em maio.

Membro do partido que esteve na origem da Revolução Laranja, de Iulia Timochenko, no sábado libertada da prisão, Iatseniuk já foi ministro da Economia e dos Negócios Estrangeiros, uma experiência que poderá revelar-se preciosa numa altura em que a Ucrânia corre o risco de uma bancarrota sem uma rápida injeção financeira internacional. Segundo o ministro das Finanças interino, Kiev precisa de 35 mil milhões de dólares em dois anos.

Viktor Ianukovich diz continuar a considerar-se Presidente da Ucrânia

Ianukovitch anuncia conferência de imprensa para sexta-feira na Rússia

O deposto presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, afirmou esta quinta-feira, que se continua a considerar chefe de Estado legítimo do seu país e pediu à Rússia que garanta a sua segurança.

Numa mensagem "ao povo da Ucrânia", divulgada pela agência noticiosa russa Interfax, Yanukovich disse ser vítima de ameaças e assinalou que o novo poder em Kiev é ilegítimo.

"Eu, Viktor Fiodorovich Yanukovich, dirijo-me ao povo da Ucrânia. Como antes, considero-me chefe legítimo do Estado ucraniano, eleito pela vontade livremente expressa dos cidadãos ucranianos", refere o texto.

"Têm chegado ameaças de represálias, para mim e para os meus próximos. Tenho que pedir às autoridades da Federação Russa que garantam a minha segurança pessoal perante ações extremistas", adiantou.

Uma fonte próxima das autoridades russas informou hoje que a Rússia respondeu positivamente ao pedido do deposto Presidente ucraniano garantindo-lhe segurança no território russo.

"Dado que Yanukovich se dirigiu às autoridades russas para pedir que garantam a sua segurança pessoal, informamos que esse pedido foi satisfeito em território russo", disse a mesma fonte citada por agências locais.

Ianukovich afirmou ainda que qualquer ordem dada às forças armadas e aos serviços de segurança para intervir nos assuntos políticos internos será ilegal e criminosa.

Disse também estar determinado a lutar até ao fim pelo cumprimento dos "importantes acordos alcançados para retirar a Ucrânia da sua profunda crise política", numa referência ao acordo que subscreveu no passado dia 21 com a oposição, sob mediação da União Europeia.

"Lamentavelmente, tudo o que ocorre agora na Rada Suprema (parlamento) da Ucrânia não é legítimo", insistiu.

Considerou ser "evidente que o povo do sudeste da Ucrânia e da Crimeia [zonas russófonas] não aceita o vazio de poder e o que está a ocorrer no país, quando os dirigentes dos ministérios são eleitos por uma multidão numa praça".

Yanukovich está em paradeiro desconhecido desde sábado, quando a oposição tomou o poder em Kiev depois de três meses de protestos.

O Presidente ucraniano deposto Viktor Ianukovich vai realizar uma conferência de imprensa na sexta-feira em Rostov-no-Don, cidade russa próxima da fronteira ucraniana, noticiaram hoje agências russas, citando o gabinete de Ianukovich.

A conferência de imprensa está agendada para as 17:00 locais (14:00 em Lisboa) na cidade do sul da Rússia, situada a cerca de 200 quilómetros de Donetsk, bastião de Ianukovich, que pediu hoje oficialmente a proteção da Rússia, depois de ter sido destituído do cargo pelo parlamento no sábado.

Parlamento da Crimeia marca para 25 de maio referendo sobre autonomia

O parlamento da Crimeia, península do sul da Ucrânia, aprovou hoje a realização a 25 de maio de um referendo sobre maior autonomia, anunciou o serviço de imprensa do parlamento.

Sob o controlo de um comando armado pró-russo, o hemiciclo regional também expulsou o Governo local, após uma votação à porta fechada, segundo a mesma fonte.

O dia 25 de maio é aquele em que deverão realizar-se eleições presidenciais antecipadas na Ucrânia, depois da destituição, no sábado, do Presidente Viktor Ianukovich.

A única questão deste referendo será: "É pela soberania estadual da Crimeia dentro da Ucrânia?".

Segundo o serviço de imprensa, 61 dos 64 deputados presentes votaram a favor do referendo, dispondo o parlamento da Crimeia de um total de 100 deputados.

O parlamento encontra-se inacessível à imprensa desde hoje de manhã, que não viu os deputados entrar no local.

Os deputados não estavam autorizados a ter consigo os respetivos telemóveis e 'tablets', disse à agência de notícias francesa, AFP, um deles, Enver Abduraimov, representante dos tártaros, minoria muçulmana deportada da Crimeia por Estaline.

Abduraimov disse ter-se recusado a participar na votação naquelas condições.

A Crimeia tem já o estatuto de república autónoma dentro da Ucrânia, depois de ter pertencido à Rússia, no âmbito da União Soviética, e de ter sido anexada à Ucrânia em 1954.

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