Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Zapatero antecipa extinção da ETA

Um dia depois de grandes manifestações pela paz, realizadas em Madrid e outras cidades espanholas, o primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, afirmou ontem, em entrevista ao jornal ‘El País’, que a “ETA só tem um destino: o fim”.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
O líder do governo nega erros de avaliação dos terroristas bascos e evita declarar o diálogo encerrado definitivamente. “É um debate que não faz sentido [...] porque acabamos de pôr ponto final num diálogo que a ETA interrompeu de maneira crua”, explicou Zapatero, afirmando que a via a seguir passa pela criação de “um grande consenso nacional na luta contra o terrorismo”. No futuro, frisou, a ETA está condenada, pois não tem apoios. “O que falta saber é quanto tempo querem retardar esse destino indubitável.”
Apesar da ruptura do processo de paz, Zapatero recusa dramatizar o impacto político do atentado de 30 de Dezembro. “Tivemos um atentado trágico, mas não há crise nenhuma”, afirmou, acusando o Partido Popular (PP), na oposição, de romper o pacto tácito de não utilização política da luta antiterrorista.
Aliás, o líder do PP, Mariano Rajoy, que hoje vai exigir explicações a Zapatero, no Parlamento, afirmou ontem que se “pode derrotar a ETA sem negociações”. Sobre a ausência do partido nas manifestações de sábado foi evasivo, atacando apenas o ‘slogan’ escolhido para os protestos. “É fácil dizer ‘todos pela paz’, como se estivéssemos em guerra. Não há uma guerra, mas sim um grupo terrorista que ataca os cidadãos.” O PP marcou presença, isso sim, na homenagem ontem realizada em Bilbau aos dois equatorianos mortos no atentado de Barajas.
OTEGI ACREDITA NO DIÁLOGO
No mesmo dia em que Zapatero deu a primeira entrevista após o atentado da ETA em Madrid, Arnaldo Otegi, líder do Batasuna, braço-político dos etarras bascos, decidiu também ‘marcar pontos’ assegurando, em entrevista ao ‘Gara’, que a situação criada com o ataque no Aeroporto de Barajas “é passageira” uma vez que as pontes de diálogo estabelecidas nos últimos anos permitirão construir um cenário diferente para que o processo de paz possa avançar.
Apesar da moderação, o dirigente abertzale voltou a sublinhar que o diálogo foi desestabilizado “por falta de compromisso do governo em manter condições democráticas e de respeito” para que o processo se pudesse desenvolver. “Há que seguir trabalhando para reconstruir as bases que permitam avançar com o processo, e isso nós estamos a fazê-lo” – assegurou o líder do Batasuna que, recorde-se, não compareceu na megamanifestação de repúdio à violência ocorrida no passado sábado em Bilbau.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)