Os ataques e especulações dos mercados financeiros com as dívidas soberanas não são de hoje. Toda a gente o sabe – e os governantes, por maioria de razão, conhecem as regras do jogo. A sua obrigação, por isso, é governar com competência, sem demagogias, pensando nos interesses nacionais apenas e não nas lógicas de conquista e manutenção do Poder que animam Sócrates de forma tão obsessiva. É dever dos executivos lutar pela solvência do Estado, tendo em conta que sem ela a vida das populações e a subsistência das sociedades ficam postas em causa. O que acontece é que, antes desta crise, Portugal não se preparou. O Governo não fez o seu trabalho. Passámos, em consequência, a ter dois países: o virtual, do primeiro-ministro e do PS, e o outro, o do défice, da dívida externa, do desemprego, das falências, da desesperança.
Perante essa situação, Passos Coelho agiu bem, evidenciando maturidade política. Deu uma ‘mão’ a Sócrates, entendendo com isso dar uma ‘mão’ a um país à beira do naufrágio. Em nome do interesse nacional, disponibilizou o apoio do PSD para que aos olhos do mundo Governo e Oposição pareçam unidos em redor de um objectivo maior do que a disputa partidária. É claro que o chefe do Governo se agarrou a esse gesto, percebendo a tábua de salvação que pode representar. E aproveitou, com a esperteza oportunística que sempre o acompanha, para comprometer o PSD com as suas políticas, como se tivessem sido, subitamente, varridas as divergências entre os dois partidos e defendessem ambos a mesma coisa. Passos Coelho, a partir de agora, caminha em cima de uma lâmina. Não pode comprometer a resposta de Portugal, o que significa não inviabilizar as políticas económicas do Governo, mas também não lhe interessa ser responsabilizado por elas. Está no fio da navalha. O caminho é muito estreito, tanto mais que Sócrates é mestre na arte da prestidigitação e da manipulação políticas. Aliás, isso já se percebeu. Basta olhar para os projectos das grandes obras públicas: diz-se que se suspende mas, afinal, avançam. A armadilha aí está. Com os extremismos que sempre florescem nestas circunstâncias à espreita.
O CRIADOR DE SONHOS
O líder mais influente para a ‘Time’. A distinção é justificada pelo facto de querer para o Brasil o correspondente àquilo que costumava ser designado por "sonho americano". Lula conseguiu, de facto, pôr milhões de brasileiros a sonhar. A economia está poderosa e a vida sorri a cada vez mais gente.
O PONTO DA ALEGRIA
Para Jorge Jesus, o empate já lhe garante o título de campeão. Um ponto separa-o da consagração. O jogo com o FC Porto vai ser um embate intenso. Um luta pela conquista de uma prova que lhe tem fugido muito, o outro defende a sua honra. A rivalidade é conhecida. Alto risco no estádio.
‘GALILÉIA’
Assim se chama o primeiro livro que li de Ronaldo Correia de Brito e que ganhou o Prémio São Paulo de Literatura deste ano. Pude confirmar o que me haviam dito sobre a sua narrativa cinematográfica e mergulhar na história de três primos, com infância passada no sertão do Ceará. Recomendo.
NOTAS: Escala de 0 a 20
JOSÉ MOURINHO: 16
Um génio do futebol. Deu uma lição de táctica e organização, com uma equipa em que inoculou ambição, crença e alma. Com trabalho, estudo e determinação, é possível ir longe.
PASSOS COELHO: 14
Pôs de lado o interesse do PSD e avançou para ajudar o Governo. Corre o risco de ser visto pelos portugueses como cúmplice das políticas restritivas que Sócrates vai ter de aplicar.
JOSÉ SÓCRATES: 7
Começar a arrumação das contas públicas por aqueles que já estão castigados pela perda de emprego é uma insensibilidade inacreditável. O subsídio de desemprego não é caridade.
T. SANTOS / A. MENDONÇA: 5
Um diz que há muita obra pública que vai ter de parar. O outro anuncia que, praticamente, tudo avança. Afinal, em que ficamos? Um Governo a duas vozes, com dois ministros no TGV da asneira.
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