Para os resultadistas não há mais nada a discutir. Portugal ganhou e cumpriu a sua missão.
A Holanda entrou forte, tão forte que dois dos seus jogadores (Van Bommel e Boulahrouz) viram o amarelo nos primeiros sete minutos. A asa direita holandesa ficou ferida e isso era, aparentemente, uma vantagem para Portugal. Imperativo forçar as entradas por aquele corredor. Mas Cristiano Ronaldo também ficara ferido por aquela entrada violenta do lateral-direito improvisado, uma das surpresas que Van Basten reservou para a partida. Desse modo, Scolari não conseguiu tirar partido dessa incidência, ao colocar Cristiano Ronaldo no lado oposto e Figo (já sem a velocidade de outros tempos) a ocupar os espaços normalmente ocupados pelo ‘puto-maravilha’.
Estava a Holanda a pressionar e a causar alguns calafrios à defesa portuguesa quando Maniche, após trabalho excelente do próprio Ronaldo, Deco e Pauleta, arranca aquela magnífica finalização. Portugal conseguira refrear o ímpeto do adversário, obrigando-o a trocar a bola sem profundidade.
Um dos grandes méritos da equipa portuguesa foi não deixar deslumbrar-se. Não avançou muito no terreno, soube defender e fazer um jogo brilhante em 50 metros. Cristiano Ronaldo não aguentou a pancada e foi substituído por Simão. Esperava-se que este fosse para a esquerda mas Scolari colocou-o à direita. A Holanda não consegue aumentar o ritmo de jogo (aliás, na primeira parte, isso nunca aconteceu e isso deveu-se à forma como Portugal soube refrigerar o jogo holandês) e, inexplicavelmente, Costinha, que já estava amarelado, corta a bola com a mão. É expulso.
A segunda parte transforma-se numa ‘guerra’. É um jogo emotivo, mas péssimo exemplo em matéria de desportivismo e ‘fair play’. A cabeçada de Figo em Van Bommel não tem explicação. Scolari diz que Figo não é Jesus Cristo. Certíssimo. Portugal nunca esteve disposto a dar a outra face. Foi isso que o transportou a uma vitória suadíssima.
A arbitragem foi das piores que se viu neste Mundial. Sem classe. Embora os jogadores, de parte a parte, não tenham cumprido disciplinarmente. Portugal passa aos ‘quartos’ com a ‘armada’ desfalcada. É verdade que a Inglaterra ainda pouco demonstrou. Aliás, este Campeonato do Mundo está a mostrar um nível muito baixo. Foi um jogo matreiro, às vezes arruaceiro. De sublinhar a entrega dos atletas portugueses, que suaram até à última gota. Mas o espírito do futebol não pode ser este. Portugal está em festa mas o futebol não sai prestigiado.
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